sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

VIVER OU VEGETAR?

Viver ou vegetar?

28 FEV 2020 / 02:00 H.
O ano de 2020 começa pródigo em acontecimentos mediáticos que seria impossível não aborda-los em qualquer artigo de opinião. Tentarei arranjar espaço, para dois temas sobejamente badalados.
A eutanásia
Comecemos por aqui, já que acaba de ser aprovada, na generalidade, na Assembleia da República. Podemos aquilatar da complexidade deste tema já que os deputados foram desobrigados da disciplina de voto e vimos que no espectro político, desde a extrema esquerda à extrema direita, nada foi consensual num assunto que mexe com moralidade, religiosidade, consciências ou opiniões.
Alguém disse: “Não há nada mais democrático do que a morte”. Pois, todos são contemplados.
Neste caso também não concordo com um referendo popular na medida em que, num assunto tão delicado, não aceito que seja 51% a decidir sobre os outros 49%, pois a sociedade está profundamente dividida sobre este tema.
Por sua vez a Igreja, conservadora, nem quer ouvir falar na eutanásia porque vai contra a lei de Deus e para eles as leis terrenas são secundárias. Todavia os próprios cristãos estão divididos, uma vez que já muitos sentiram na pele o que é ter um familiar em estado vegetativo.
Os próprios médicos estão divididos, uns porque vai contra a sua formação e código deontológico, outros porque são objetores de consciência e outros, simplesmente, porque têm a sua opinião.
Os cuidados paliativos poderão atenuar o sofrimento de um doente terminal imobilizado mas não atenua os efeitos colaterais dos familiares que ficam prisioneiros dos cuidados com o paciente, muitas vezes, eles próprios, impedidos de terem uma vida normal.
Abordados os problemas morais, passemos aos sociais que trarão, certamente, consequenciais imprevisíveis quando baixar à Comissão dos Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias.
Como e quando o doente terminal poderá optar pela morte assistida? Quem determinará que este está na posse das suas faculdades mentais para decidir? Se não, qual o familiar que deverá decidir se o ente querido deverá partir? Pois, compreende-se que haja opiniões diversificadas.
Que dirão as seguradoras no caso de haver seguros de saúde ou de morte e quantos casos irão arrastar-se indefinidamente nos tribunal se não for produzida legislação esclarecedora de modo a responder a todos estas vertentes?
Sinceramente admito dúvidas em votar sim ou não mas repudio veementemente aqueles demagogos que falam em matar. Não se trata de tirar a vida ou obrigar alguém a morrer. É um ato livre e espontâneo de um ser humano que já não tem o mínimo de qualidade de vida e sabe que se tornou um peso inútil.
Racismo.
Segundo o dicionário, “racismo é a teoria que defende superioridade de um grupo sobre outro, baseado em conceitos de raça. Mas quem disse que um branco é superior a um preto ou outra raça qualquer? É a própria sociedade que cria o estigma e o preconceito quando admite que a raça branca é superior à negra quando, na verdade somos iguais, apenas diferindo na cor da pele. António Gedeão no seu poema“lágrima de preta” lembra que as lágrimas têm a mesma composição. Acho que não deveriam fazer um caso onde não há caso, porém, se for para definir racismo, tanto seria castigado um branco que chame preto a outro, como incorre no mesmo crime, qualquer negro que chame branco a outro. Os “produtores de leis” na A.R. lembraram-se de criar legislação sobre um assunto tão natural, apenas para justificar o ordenado. Sempre houve e haverá brancos, pretos, amarelos e vermelhos, ponto final parágrafo. Agora, violência verbal ou física é outro coisa. É inaceitável e condenável mas isso, infelizmente, é próprio e usual em pessoas sem educação que ofendem tudo e todos indiscriminadamente.
Acho ridículo o estardalhaço que se fez acerca do jogador de futebol Marega que se sentiu ofendido por lhe dirigirem impropérios. Mas isso não é racismo, é falta de civismo de uns selvagens -pretos ou brancos- que vão para um estádio de futebol apenas para descarregar as frustrações que acumulam durante a semana. Esses, sim, devem ser castigados por ofensas a jogadores, a árbitros ou ao espetador do lado, mas não por racismo.
Deixemo-nos de populismo barato, pois todos sabemos que, sobretudo em recintos desportivos, lei nenhuma acabará com as ofensas verbais e físicas. Fizeram das palavra racismo e/ou xenofobia, assunto para os meios de comunicação social e para dar emprego a dezenas de comentadores desportivos, eles próprios, a se ofenderem verbalmente, quase chegando a vias de facto, ante uma câmara de televisão.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

UM VÍRUS NA SAÚDE DA REGIÃO

UM VÍRUS NA SAÚDE DA REGIÃO

Já não é apenas o problema da contestada nomeação do dr. Mário Pereira. Já não é o problema dos milhares de utentes nas listas de espera para uma cirurgia. Já nem é a bagunça no sesaram Não! O problema é o vírus que grassa incontrolado, na saúde da região e que veio para ficar. Enquanto os vírus tradicionais vão aparecendo periodicamente, vão sendo diagnosticados e debelados, este não há antídoto que o elimine. Não! caros leitores isto não é dizer mal, por dizer, é um facto que poderá ser constatado por qualquer utente do SRS (serviço regional de saúde) e em qualquer centro de saúde da região Imagine o utente que tem um um problema de saúde e precisa de uma consulta. Um serviço para o qual toda a vida descontou para prevenção de doenças. Chega ao Centro de Saúde do Bom Jesus no Funchal, em janeiro 2020, e diz para a funcionária: Tenho um problema de saúde e preciso de uma consulta o mais breve possível! Funcionária: Desculpe mas não temos vagas! Como assim!? Não estou a falar de uma cirurgia! É apenas uma simples consulta para diagnosticar um problema de saúde! Funcionária: Repito que não temos vagas para a sua médica de família! Mas como poderei obter uma consulta uma vez que não tenho dinheiro para pagar uma consulta no privado? Funcionária: Se quiser marcar consulta terá que vir cá a partir de Abril de 2020. Senhora! Mas se eu não for consultado para saber qual a minha maleita , posso nem chegar a Abril de 2020. A única hipótese é obter consulta numa “vaga do dia” mas terá que apresentar-se no Centro às oito horas! Atenção; mas só se for mesmo urgente! Mas eu não sou médico para saber se o problema é grave e tem urgência! Respondo. Se calhar terei que estar moribundo – pensei. A Funcionária, que tal como eu não tem culpa de um pobre sistema de saúde, olha-me, faz-me um gesto de (in)compreensão e passa-me um papelito com o horário das “vagas do dia” Foi para chegarmos a isto que descontamos 40 anos para o serviço de saúde? Caro utente do SRS, permita-me um conselho; Evite toda e qualquer despesa supérflua e guarde os trocos num mealheiro para se um dia precisar de uma consulta médica. Não obstante se morrer antes de ser consultado o aferrolho serve para as despesas do funeral. Assim vai a saúde na região! E se me responderem quem em Lisboa também é assim eu mando-os para...quarentena.
Juvenal Rodrigues

sábado, 1 de fevereiro de 2020

A MISÉRIA DA TAP ou TAP MISERÁVEL

Embora já tivesse afirmado, nestas páginas, que enquanto houver outra transportadora aérea entre Continente e Madeira eu jamais viajaria na TAP (transportes amigos dos portugueses), por razões que me transcendem, fui “obrigado” a viajar nela para o trajeto Madeira/Lisboa/Funchal e mais uma vez testemunhei o execrável comportamento destes sovinas. Eu explico; Além dos preços escandalosos que praticam por uma viagem entre a região e o Continente ainda reduziram a miserável “refeição”. Lembro-me dos tempos em que a TAP era de serviço público, ainda davam uma ligeira refeição quente, consoante fosse à hora do jantar ou almoço. Depois de Passos Coelho vender a companhia aos privados, passaram a servir uma sanduíche e um copo de sumo e ultimamente passaram a um mísero saquito de batatas fritas; aqueles que as mães dão aos “putos” para não chatearem. Esta miséria serve apenas para se diferenciarem das companhias low cost que não servem nada. Ninguém me convence que o sr. Antonoaldo Neves, o amigo da Madeira - com amigos destes não precisamos de inimigos- não está a vingar-se das “bocas” que os madeirenses lhe mandam, reclamando com justíssima razão mas que ele deve entender que nós somos más-línguas e que pagar 500 ou 600 euros para viajar entre madeira e continente é uma coisa naturalíssima. Se mais alguma vez for “obrigado” viajar na TAP levarei uma boa feijoada à brasileira para distribuir pelos passageiros. Só se compreende que os madeirenses ainda viagem na TAP porque pagam apenas 86€ tal como pagam nas low cost mas por um miserável saquito de batatas fritas não vale a pena, já que um saquito de batatas é igual a nada. Bastaria apenas um mês que os madeirenses deixassem de voar na TAP, optando pelas outras companhias, iríamos ver como é que o senhor Antonoaldo se amanhava. Madeirenses, sei que viajar na TAP ou na concorrência pagam igual mas não podemos esquecer o mal que esta companhia está a fazer à nossa terra e a todos os madeirenses e devemos dar-lhe o merecido castigo. Apenas um mês para mete-los na linha!
Juvenal Rodrigues

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

ANO NOVO PROBLEMAS VELHOS

Ano novo problemas velhos

Em vez de andar às turras com o Governo da república deixe de parte a cagança e negoceie

28 JAN 2020 / 02:00 H.
Ano novo e velhos problemas para debater até à exaustão e, como sempre, sem solução. Portanto nada como começar o ano 2020 a alertar para os mesmos já que as promessas vãs voltarão em 2021 e novamente em 2023.
O meu primeiro artigo do ano é, obrigatoriamente, sobre o eterno problema do ferry, sempre novo mas com mirabolantes episódios: desperdício de dinheiro, parvoíces e arma de arremesso político.
Tivemos que esperar que se realizasse as eleições regionais de 2019 para ficarmos a saber (quem não sabia!) que o governo Regional chegou à sábia conclusão que teria que abandonar a linha ferry, com o álibi de que não é rentável. Senhor Governo, terá que recorrer à inteligência artificial porque apesar de alargar o Governo em mais duas Secretarias, está rodeado de gente pouco inteligente. Então só agora chegou à conclusão que esta linha não era rentável, quando todos os madeirenses já sabiam disso? Então admite que gastou 6 milhões de euros em 2018 e 2019 para deitar poeira aos olhos dos madeirenses para não enxergarem onde colocar a cruzinha no boletim de voto? Não acha uma estranha coincidência que o operador, Grupo Sousa, tenha anunciado a desistência (ou conveniência?) do serviço em Setembro de 2019, um dia antes das eleições? Depois de vários anos deste serviço marítimo, só agora descobriu que a linha ferry nunca foi, nem nunca será rentável em termos financeiros, e terá que ser sempre subsidiada pelo erário público? A população também sabe que sempre será assim com a mobilidade terrestre ou aérea. Porque não abandona o confronto político com o Costa e senta-se à mesa de negociações para negociar um modelo se serviço público para as regiões autónomas? Todos sabemos que continuaria a não ser rentável mas talvez fosse menos dispendioso em termos financeiros já que, só com a mobilidade aérea, o Governo da República gastou, em 2018, setenta milhões (este ano tem nova taxa) a pagar subsídios para a Madeira e Açores. Talvez saísse mais barato uma linha aérea e outra marítima, de serviço público. Penso que mais tarde ou mais cedo é o que terá que acontecer. Primeiro porque está a prejudicar uma ilha que vive essencialmente do turismo; segundo, porque os subsídios pagos à TAP (amiga) tornar-se-ão insuportáveis já que são uma mama da qual a companhia não quererá abdicar.
Em vez de andar às turras com o Governo da república deixe de parte a cagança e negoceie. Isso sim seria defender a Madeira e os madeirenses. Afinal o braço de ferro com os governos da República, nunca resolveram os grandes problemas da Madeira; O ferry foi ao “fundo” as passagens aéreas estão cada vez mais caras, os madeirenses continuam a pagar a totalidade das passagens em vez dos 86 euros. Até o “meio” hospital e a redução dos juros da dívida, apenas foi conseguido com a boa vontade do Costa. Senhor Presidente M.Albuquerque, conhece o provérbio:”bezerro manso mama o seu e o alheio”? Se não conhece o ditado pergunte aos seus parceiros do cds-m. Eles dizem-lhe que é diplomacia, astúcia, bom senso e uma porção de graxa q. b.
Outra trapalhada monumental foi aquela votação dos deputados do psd-m, na Assembleia da República ao optarem pela abstenção na votação do O.E. Foram obrigados a furar a disciplina de voto do próprio partido para obedecer à ordem suprema do presidente do psd-m. Então depois de tantas alarido contra Lisboa, o presidente do G.R. contentou-se apenas com 50% do novo hospital e deixou cair todas as reivindicações, pelas quais fez tanta arruaça em ano de eleições?
Outra oportunidade que M.Albuquerque tem para mostrar que não defende os madeirenses apenas com bazófias, é rever as pensões miseráveis dos reformados e atribuir-lhes um complemento solidário de reforma, em 60 euros, tal como o Governo dos Açores já faz a tantos anos, e olhe que não os vejo fazer tanto alarido a apregoar que lutam pelo interesse dos Açores e dos acoreanos. Muitos destes pensionistas foram antigos pequenos empresários obrigados a fecharem as suas empresas devido às políticas erradas dos governos. Esses, além de não terem direito ao subsídio de desemprego, foram obrigados a negociar uma reforma miserável, sem atualização ao longo dos anos, por isso ainda hoje recebem menos de 300€ quando o ordenado mínimo já vai acima dos 600€. mostre que também gosta dos mais desfavorecidos e não só dos seus amigos empresários. Em vez de andar a gastar o nosso dinheiro para satisfazer clientelas políticas, rodeie-se, urgentemente, de assessores competentes e honestos que não se movam apenas pelo tacho.
As únicas desgraças completas são aquelas com as quais nada aprendemos. William Ernest Hocking.

sábado, 28 de dezembro de 2019

O OITAVO PECADO CAPITAL

O oitavo pecado capital

Hoje compreendemos mais facilmente que tudo o que nos rodeia contribui para a degradação ambiental

28 DEZ 2019 / 02:00 H.
Estamos ainda em plena quadra natalícia. Havia pensado escrever sobre a mesma mas não posso! Não posso porque urge falar em coisas bem mais graves, nomeadamente salvar o Planeta de um perigo letal; o “vírus humanoide” que o ameaça. O problema é de tal ordem de grandeza (negativa )que o Papa Francisco já fala em acrescentar o oitavo, aos sete pecados capitais; O PECADO ECOLÓGICO.
Gostaria de falar-vos sobre a minha freguesia, a minha cidade, a minha região, o meu país, sobre o Mundo e sobre os insensatos que o governam; mas também não posso. Não posso porque só para falar da insensatez humana ocuparia milhares de páginas de jornais e escreveria centenas de livros.
Gostaria de falar-vos sobre o clima mas para quê, se os países ricos, donos do Mundo, são insensíveis a um problema que afeta todo o globo e a sua população estimada em 7.7 biliões de seres humanos. Este tema é trivial mas ainda existe insensatos como Trump e Bolsonaro que não querem saber do clima porque enquanto o vil metal for o patrão do Mundo, nada lhe resiste. “lavar a cabeça a burros é perder tempo e sabão”, uma máxima popular que se adapta perfeitamente aos sanguessugas exploradores de todos os bens da terra, e quando os mesmos se esgotarem terão uma nave pronta a viajar no espaço sideral transportando-os para a lua ou Marte depois de destruir a Terra, seu habitat natural. Convenceram-se que o dinheiro compra tudo e, cegos pelo egoísmo, esqueceram-se que as gerações vindouras não terão lugar onde habitar.
É destes problemas graves que quero falar-vos até à exaustão mas suponho que são carateres perdidos na ambição dos predadores que não querem saber dos estudos dos cientistas ou dos apelos de diversas ONG, as quais tentam a todo o custo alertar para este grave problema. De vez em quando aparece uma greta mediática que deixa passar um raio de sol mas logo se extingue porque a neblina da poluição económica logo o absorve.
Quero, ainda aproveitar o espaço (nesta página) para falar de outro segmento social; a poluição política que tenta iludir-nos com subterfúgios estúpidos, zurzindo aos ouvidos do povo que é um problema de esquerda ou direita quando todos sabemos que é somente a ganância e a demagogia, por um lado, e o bom senso por outro. Assim temos uma simbiose perigosa entre o poder económico que ambiciona açambarcar toda a matéria prima do Universo e a conivência do poder político, que se deixa poluir pelo primeiro, com o único objetivo do seu partido ganhar as eleições seguintes, mesmo que para isso tenha que dividir os cidadãos que votam para o Governo e os que votam para as Autarquias.
Poderíamos, quiçá, falar dos “traques” das vacas, responsáveis por 43% do gás metano que só em 2017 contribuiu com quase 90 mil toneladas para o efeito de estufa que degrada o ambiente, não obstante, o consumismo desregrado de carne ou peixe, aumenta em cada ano que passa. Segundo as estimativas, os portugueses consumiram cinco mil toneladas de bacalhau na noite da consoada o que ilustra bem o quadro do consumismo. O exagero também é uma forma de poluição e de injustiça social, enquanto uns se empanturram os outros passam fome.
Deixei para o fim a forma mais poluente e perigosa; a corrupção. Não vou desenvolver um tema sobejamente badalado, vou apenas lembrar que ela tem a força do dinheiro e dos políticos corruptos a protegê-la. É um problema com dimensão à escala mundial que só poderá ser combatida por força legislativa dura e severa, mas para tal precisa de políticos de coragem, honestos e com eles no sítio, para limitar a ganância do poder económico, a ganância do poder político e o consumismo desenfreado.
Hoje compreendemos mais facilmente que tudo o que nos rodeia contribui para a degradação ambiental, por isso apenas há um caminho para a humanidade; combater com coragem esta tríade; ganância do poder económico, político e consumista, sob pena de voltarmos, num futuro próximo, à imposição do racionamento severo, não por faltas como antigamente, mas por excessos.
Caros leitores, desejo-vos um Feliz ano de 2020 e votos que daqui por 20 anos se tenha invertido este ciclo infernal de degradação ambiental para que não seja instituído o oitavo pecado capital.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

CASOS & CASOS ILIMITADOS

Casos & Casos Ilimitados

Poderá ser apenas uma convicção minha mas acredito que se o PSD-M perdesse as eleições muitos destes casos sairiam à luz do dia

27 NOV 2019 / 02:00 H.
Casos & casos, uma “empresa” de responsabilidade ilimitada que se instalou nesta pequena ilha e, à custa dos seus recursos naturais, tem enchido os bolsos aos privilegiados do regime, vigente há 43 anos. Se juntarmos esta “empresa” a outra chamada Casos sem Solução - com responsabilidade dos poderosos da ilha – temos uma simbiose perfeita entre vítimas (o povo) e os predadores (lobbies) a viverem num autêntico paraíso onde o crime compensa já que os prevaricadores, muito raramente, são castigados.
Caso da extração de inertes dos Socorridos. Caso da extração de inertes na Tabua. Caso dos inertes na Fundoa. Em principio a maioria destes casos partiram de licenciamentos irregulares, quando o Dr. Miguel Albuquerque era Presidente, da CMF, Pedro Calado, vice-presidente e Engº Duarte Gomes era responsável pelo pelouro das obras da autarquia. Nessa altura o G.R. e a CMF complementavam-se sob a tutela do Dr. Jardim, dono e senhor desta terra e ninguém destingia onde acabava o poder governamental e começava o poder autárquico. As fiscalizações que deveriam ser efetuadas pelo GR, foram completamente esquecidas ou feitas tarde e a más horas, após o DN Madeira trazer a público aquilo que não conseguiram esconder. Onde estão os fiscais do Governo para fazer cumprir a legislação que M. Albuquerque quer agora voltar a legislar? Ela já existe, senhor Presidente, apenas é preciso fazer cumprir. Poderemos estar perante um caso de negligência grosseira mas, por outro lado, ninguém pode dissociar o principal beneficiado com estes negócios; a empresa AFA, ex-patrão do senhor vice-presidente do Governo, Pedro Calado que, por coincidência, foi (ou é) um destacado quadro da empresa de Avelino Farinha.
Por outro lado, o Dr. Miguel Albuquerque, em 2017 vende a “Quinta das Rosas”, em falência técnica segundo conversas de café, ao Grupo Pestana, o maior grupo hoteleiro de Portugal e, por coincidência, um ano mais tarde o Presidente do GR, segundo o “Magazine Penafiel”, publicado em Outubro de 2018, assim como a revista “Sábado” diziam que Miguel Albuquerque era um dos políticos mais ricos de Portugal. Até agora Albuquerque não desmentiu nem explicou como passou de proprietário falido, a político mais rico.
São estas “coincidências” que levam o povo a fazer uma associação de ideias entre promiscuidade política e negociatas principalmente quando são feitas por quem nos governa. Por vezes, os cargos importantes poderão não ser bem remunerado mas abrem muitas janelas que deixam passar importantes raios de sol. Se é certo que o dinheiro não cai do céu, teriam que vir a público explicar como foram adquiridas as suas fortunas e privilégios quando mais não fosse para evitar especulações. “à mulher de César não basta ser honesta, tem que parece-lo”
Nos casos sem solução podemos englobar a Urbanização VIP do Imaculado Coração de Maria, no Funchal, o caso do edifício “La Vie” o caso do “Forum Madeira” todos eles licenciados, se a memória não me falha, pelas mesmas personagens que licenciaram as pedreiras, casos que até hoje continuam a arrastar-se, penosamente, pelos tribunais até um dia prescreverem acarretando sérios prejuízos para a região e para os contribuintes. Depois de tudo isto o presidente do psd-m ainda afirma que quer ganhar as eleições autárquicas de 2021 para as Câmaras voltarem a ser o que eram. Deus nos livre! Poderíamos estar todo o dia a falar em casos que foram, aparentemente, esquecidos: Caso da segurança social que deixou prescrever cerca de 4 milhões de euros entre 2013 e 2015, do “Grupo Camachos”, onde houve duas responsáveis mas... alguém sabe o que lhes aconteceu? O caso da droga e 30.000 euros em dinheiro, encontrados no edifício do Governo Regional em 2009 num cacifo de um trabalhador. A PSP tomou conta da ocorrência mas 10 anos depois parece esquecido. O caso das pratas furtadas na Assembleia Regional mas como a mesma era considera “casa de loucos” talvez por isso o(s) culpados foram considerado inimputáveis. E o manobrador da máquina, na Fundoa, morto quando estava a limpar a escarpa (ou estaria a extrair pedra?), alguém sabe? Juntemos centenas de casos de corrupção emperrados com a benevolência da nossa legislação que os torna difíceis de provar acabando por morrer numa prateleira de um qualquer tribunal. A cereja no topo do bolo, deste “casos & caos” é colocada com a notícia do Diário de 23/11/19 que denuncia “jogos de mentiras e enganos” com o caso do travão à investigação de Manuel António, ex-secretário do GR, no caso das licenças ilegais de pescas que envolve Assembleia Regional, governantes, procuradores e inspetores de polícia. Poderá ser apenas uma convicção minha mas acredito que se o PSD-M perdesse as eleições muitos destes casos sairiam à luz do dia, ecoando por montes e vales.

domingo, 27 de outubro de 2019

POR UMA MIGALHA DE PODER

Por uma migalha de poder

O povo aguenta todas as despesas e continuará a pagar mais Secretários, Secretarias e afins

25 OUT 2019 / 02:00 H.
Não vou falar em casamento ou união de facto, vou antes falar de um“ rapaz e uma rapariga” que se enxovalharam, mutuamente, durante 43 anos mas um dia, porque o “rapaz” não encontrou outra e porque a “rapariga” não queria ficar de pés amarelos, resolveram esquecer as ofensas e, por imposição suprema do tacho, lá juntaram os trapinhos passando assim a viver juntos. Há quem diga que não será uma união para quatro anos uma vez que o “rapaz” estava habituado a dormir só e agora os lençóis tornar-se-ão curtos. Por conseguinte, adivinha-se “violência doméstica.
Esta metáfora tem por fim lembrar aqueles contos de fadas que têm sempre um final feliz. No concreto eu, pessoalmente, acredito que a união entre Psd-m e Cds durará os 4 anos da presente legislatura. Onde iria o Cds, apenas com 3 deputados, retirar melhores dividendos? Portanto, sem ser cartomante, prevejo que irá engolir muitos sapos e manter-se-á como muleta do psd-m argumentando que será sempre em nome dos madeirenses e da Madeira mas todos sabemos que é em nome da gamela, do ego e da ganância de poder. O Cds jamais se lembrará que teve uma oportunidade soberana de acabar com a hegemonia de 43 anos do Psd-m e por umas migalhas de poder, atraiçoou os madeirenses que ansiavam por mudança. Com algumas centenas de votos como conseguiria este partido a presidência da ALM e mais duas secretarias mesmo que sejam de faz de conta? Só espero que esta geringonça não faça na Madeira o que, com os mesmos partidos, fizeram a nível nacional levando Portugal à beira do abismo. Estaremos atentos ao discurso do deputado/médico Mário Pereira que tanto criticou o sistema de saúde da região e ao que fará o novo Secretário Rui Barreto que denunciava a governação do Psd como um autêntico desastre? Conseguirá que M. Albuquerque altere o seu programa eleitoral para implementar as suas ideias? Do Sr. Teófilo Cunha, como era muito caladinho (até como presidente da AMRAM) apenas se pode dizer que, abandonou o mandato na CMS para assumir a pasta (vazia) do mar e das pescas. Pressinto que o seu Cds pagará caro por isso. Resumindo; depois de tantos anos de achincalho político, eis que, com as brilhantes e tão apregoadas ideias do Cds a região entrará, finalmente, na senda do progresso e o tão odiado Psd-M passou de besta a bestial. Pois é, caros leitores! em política acontecem estes milagres interesseiros sempre à medida de políticos corcunda de tanto vergarem o dorso pela ambicionada sinecura.
Dos ajustes a nível governamental, feitos à medida de Miguel Albuquerque e Pedro Calado, também podemos tirar ilações caricatas. Alguém conseguirá explicar porque carga d’água a Secretaria dos transportes foi dividida em três quando antes era apenas da competência do mal-amado Eduardo Jesus o qual fica agora apenas com os transportes aéreos? Será que alguém se lembrou que o antigo Secretário um dia se atreveu a questionar o Grupo Sousa? Ou será que, pelo mesmo motivo os transportes marítimos e Porto Santo ficam sob a alçada (vigilância) de Pedro Calado pois não interessa que alguém volte a questionar os intocáveis Grupos Económicos da região? O que importa é que agora a Madeira tem 9 Secretarias e 11 membros do Governo para satisfazer todos os “boys and girls” dos dois partidos. O povo aguenta todas as despesas e continuará a pagar mais Secretários, Secretarias e afins através dos seus parcos rendimentos para que não falte o tacho aos amigos e familiares.
Por sua vez Albuquerque e Calado começam, por agora, a entrar com “patinhas de lã” com António Costa porque está em jogo, subsídios para transportes terrestres e marítimos e ainda o novo hospital mas no último ano de mandato voltará à farsa da “guerra” com Lisboa para enganar mais alguns madeirense, reivindicando mais autonomia e o pagamento das dívidas da Madeira que, após a campanha eleitoral, começam a surgir. E por falar em campanha eleitoral! Já que conseguiu alguns votos dos incautos regressados da Venezuela, vendendo-lhes a ignominiosa mentira que o Socialismo em Portugal era igual ao do Maduro, ficava-lhe bem explicar-lhes que o socialismo democrático no nosso país, defende os mesmos princípios da social-democracia tal como o seu Psd e não um socialismo de ditadores como o Governo da Venezuela. Que vergonha devem sentir os venezuelanos por enfiarem o barreto ao terem acreditado em si!
Como nota final de um cidadão atento, que se interessa pelo bem comum, convém, neste início de mandato, não esquecer mais promessas e começar pelo prometido apoio de 150€ para compra dos óculos aos idosos, com mais de 65 anos, designado por “complemento de visão” já aprovado em 9 de Setembro de 2019. Olhe que alguns madeirenses têm memória curta mas não se esquecem de tudo.