sábado, 19 de maio de 2012

AVALIEM OS INCOMPETENTES



Independentemente de qualquer partidarite aguda seja ela de direita, centro ou esquerda está provado  que a população precisa sobretudo de defender os seus direitos mesmo que eles colidam com as políticas de quem nos governa  porque estes não governam em defesa do povo que os elegeu mas em função dos interesses dos grandes lobbyes, sem escrúpulos, quer sejam económicos, sociais, partidários ou, simplesmente, para promoção própria. Posto isto e sempre primando pela mesma linha de isenção quero aqui salientar o excelente trabalho de pesquisa levado a cabo pelo PS-M e distribuído com o DIÁRIO de 11.5.12 sob o tema “ Catástrofe social” onde, em termos comparativos, evidencia , de uma forma clara,  a diferença de governação entre os dois presidentes das regiões autónomas Açores e Madeira onde a primeira é governada por Carlos César que por acaso é do PS e Alberto J.Jardim que, também por acaso, é do PSD. Acho que o referido trabalho deveria ser consultado por todos os madeirenses  para finalmente compreenderem que o bom desempenho governativo não se mede apenas  por discursos inflamados ou pela obra feita que enche a vista a forasteiros mas leva a população a condições de vida miseráveis. Penso que a diferença residio  na humildade de Carlos César reconhecer que governava uma região pobre enquanto  Alberto J.Jardim pensou que governava uma região rica. Foi preciso isto bater no fundo para que o Dr. Jardim caísse na realidade –embora tarde demais- que afinal a Madeira era, é e, a não ser que se descubra petróleo, continuará a ser pobre. Vejamos apenas alguns exemplos, aqueles mais sentidos pela população, patentes no tal trabalho de pesquisa do PS-M.  Taxa normal de IVA nos Açores 16% , na Madeira 22% ; IRC nos Açores 17.5%, na Madeira 25%; média de IRS nos Açores 25%, na Madeira 32% ; garrafa de gás nos Açores 16€90, na Madeira 28€03: litro de gasolina 95 nos Açores 1€50, na Madeira 1€81; litro de gasóleo nos Açores 1€35, na Madeira 1€47; os Açores têm, à muitos anos, um subsídio complementar para os idosos, a Madeira nunca teve nem terá; Os Açores mantêm uma remuneração complementar de 3.5% para os salários mais baixos da função publica e um acréscimo de 5% no salário mínimo: na Madeira tiram-se todas as regalias sociais; A Madeira tem 21.460 desempregados, o dobro do que tem nos Açores. Não me resta aqui espaço para falar nos transportes, no  IMI e na dívida directa e indirecta  da Madeira mas o leitor poderá consultar o resto no referido trabalho de pesquisa. Depois desta demonstração entre os dois governantes onde um dá muito melhores condições de vida ao seu povo e o outro que o sufoca com impostos, resta esta observação; Se, como afirmou o dr. Jardim, Carlos César é incompetente então  eu prefiro ser governado por um incompetente! Governar todos querem mas só resulta com quem sabe. 

Juvenal Rodrigues

Publicado no DIÀRIO em 17.5.12

quinta-feira, 10 de maio de 2012

IMUNIDADE PARLAMENTAR


IMUNIDADE PARLAMENTAR

Quero destacar aqui dois temas bastante atuais. Começo pelo levantamento, ou não, da imunidade parlamentar aos senhores Deputados da ALM ou outros. Sem querer analisar casos em concreto vou referir-me à classe na generalidade. Por muito respeito que me merecem alguns Deputados, entre os quais tenho alguns amigos(as), questiono. Quando a corrupção, a promiscuidade, a falta de qualidade política, a má gestão da coisa pública, o palavreado brejeiro e ofensivo na ALM e outras são diariamente protagonizados  pela classe política, estes senhores ainda  acham-se no direito de merecerem imunidade? Ainda acham que são melhores que o cidadão comum que os elege e está sujeito a ser penhorado ou ir preso por meia dúzia de euros desviados ao fisco ou por uma simples multa de trânsito? A  Constituição portuguesa diz que ninguém está acima da lei e por isso não encontro justificação para os Sr.s Deputados terem estatuto de intocáveis quando alguns estão sobejamente referenciados por alegados crimes públicos. Quanto a mim esta aberração só tem cabimento porque são os senhores a aprovar as leis e assim aprovam as que mais lhes convém. No mundo actual cheio de corruptos, vigaristas e pedófilos, até na igreja católica, ninguém merece estatuto de imunidade. São cidadãos iguais a quaisquer outros e devem estar sujeitos à lei  respondendo, perante os tribunais, pela vossa conduta. Vou mais longe; os eleitores só deveriam votar no partido que prometesse acabar com este abuso e com as mordomias desta classe. 
Continuo para destacar a intervenção da Srª Deputada Nivalda Gonçalves, na ALM, que invocou  o Estatuto Político Administrativo para argumentar contra a extinção de Freguesias. Pois bem Srª Deputada antes de se agarrar demagogicamente aos estatutos para agradar a “meia dúzia” de eleitores que votam no seu partido mais os Presidentes de Junta que fazem um jeitão na altura das eleições, veja o lado prático da medida. Acha que se justifica J. de Freguesia tão próximas uma da outra cuja distância se percorre em 5 minutos a pé como, por exemplo, Sé,  S. Pedro  e Stª Luzia. Ainda como ex., porque não integrar, pela proximidade, S.Roque em Stº António e S. Gonçalo em Stª Maria Maior ou o Imaculado C. Maria no Monte, poupando assim, ao erário público, despesas administrativas, alugueres de instalações, água, luz e comunicações? Apenas os funcionários transitariam de instalações salvaguardando-lhes os postos de trabalho. Não acha que com a legião de pobres na Madeira, que o seu partido criou, o que a região menos precisa é que se gaste dinheiro em caprichos para conquistar – como se tem feiro até aqui- “meia dúzia” de votos? Acabem com os vícios mofentos de 30 anos e mais rápido se sairá da crise.

Juvenal Rodrigues

Publicado no Diário em 8.5.12       

terça-feira, 1 de maio de 2012


Ditadura versus democracia


Nós portugueses, sobretudo os mais velhos que viveram  antes e pós 25 abril 74, interrogamo-nos; o que é que mudou na sociedade portuguesa após a revolução levada a cabo pelos militares de Abril? É entendimento generalizado que a ditadura é uma chaga nas sociedades civilizadas. E porquê? Porque a ditadura é repressão, é  qualidade de vida degradada com cidadãos  na miséria, é corrupção por parte do poder, é a justiça que não funciona ou funciona mal, é o tráfico de influencias, são os privilegiados cada vez mais ricos e população mais pobre e são os políticos que se julgam deuses que só descem à terra na altura de eleições com promessas falsas. Passados 38 anos de democracia o que é que mudou? Apenas os políticos! A repressão continua  por parte das forças policiais, com algumas cabeças partidas em algumas manifestações mais veementes. É verdade que não somos desterrados para a ilha do Sal nem obrigados a pedir exílio político mas somos “obrigados” a emigrar, a corrupção e o tráfico de influências, por parte do poder, aumentou devido à promiscuidade; a justiça deixa os corruptos impunes; os governantes nunca são castigados por levarem o país à falência e a população à miséria; os políticos continuam com salários 10,15,ou 20 vezes superior ao trabalhador comum mais as altas mordomias. Do direito à saúde ao ensino e à justiça, consagrados na Constituição, fizeram letra morta  e só a invocam para promulgar leis e diplomas de dia que os beneficiam à noite. Sim, claro, hoje temos a tão desejada liberdade de expressão. Mas só isso chega? De que me serve ter liberdade para escrever este texto se os governantes e políticos não me ligam nenhuma ou se me ligam ainda posso estar sujeito a represálias? É verdade que não existe modelos de governação perfeitos mas poderia have-los mais justos se os eleitos não estivessem reféns dos  interesses materiais. A sociedade adormecida pelo ópio do luxo apenas dá valor ao ter e ignora por completo o ser. Que sociedade distorcida da realidade é esta que enaltece e premeia os desportistas com milhões de euros e esquece o cientista a quem paga  miseravelmente os quais contribuem para a saúde de milhões de pessoas? Não se iludam! a democracia é hoje apenas uma palavra oca e sem sentido. Esta só existirá quando houver menos desigualdade social, quando os políticos e governantes não tenham salários principescos e altas mordomias com carros de luxo e casas com piscinas á custa desses salários. Pelo meu texto não me apelidem de anarquista, de esquerda ou de direita, porque estes 38 anos ensinaram-me que a democracia, tal como está, é apenas um sofisma que os políticos usam habilmente, sou apenas um cidadão que anseia por uma sociedade mais justa. Quem levará o Mundo à anarquia serão os políticos ignorantes que ainda não se aperceberam que estão a esticar a corda até a população , na miséria extrema, dizer basta e levar à prática o slogan:  “o povo é quem mais ordena!
Juvenal Rodrigues

Publicado no Diário em 28.4.12                               

terça-feira, 10 de abril de 2012




A grande peta

Os madeirenses foram confrontados no 1º de abril  com uma carga de impostos tão violenta que mais parecia uma peta. Antes fosse! Mas infelizmente foi uma realidade nua e crua  que os governantes, lá do alto do seu imensurável saber, nos pregaram. A grande peta começou há 30 anos quando se instalou na região um regime totalitário, autista e arrogante. A grande peta começou quando utopicamente pensamos que com 250.000 habitantes seríamos maiores que o continente português com 10 milhões. Quando deveríamos manter a paz social e profícua  usamos uma tática arruaceira de virar  madeirenses contra madeirenses e ainda usa-los como arma de arremesso contra a República porque dava votos. Quando começamos a desperdiçar uma tão desejada autonomia porque não soubemos usa-la. Quando, com uma “cagança” saloia escarnecemos dos Açores afirmando que eram uns atrasados e nós é que éramos o povo superior. Quando tivemos a ousadia de dizer, para iludir a população que a Madeira seria a Singapura do Atlântico. Quando dizíamos à boca cheia que poderíamos ser independentes constatando agora que jamais poderemos viver sem ajuda devido a condições, geográficas e económicas, inultrapassáveis. Quando apenas queríamos saber qual o banco mais próximo disponível para emprestar dinheiro sem pensar que um dia teríamos que paga-lo. Quando se criou S.D. com o único objetivo de pedir dinheiro e ultrapassar as leis da República que imponham o endividamento zero. Quando se construíram complexos desportivos, hoje transformados em pastos para cabras, e 22 piscinas numa pequena ilha rodeada pelo mar. Quando se faziam inaugurações com espetada e vinho à “fartazana” porque havia bastante dinheiro para esbanjar. Quando o Sr. Governo num golpe politiqueiro baixo, ignóbil e interesseiro pretendeu esconder uma monstruosa dívida para as gerações vindouras pagarem. Quando uma maioria de deputados do partido maioritário, porque era cómodo e dava “tacho”, nunca quis fiscalizar o Governo (lembra-me o adágio popular: “cornos que dão de comer deixa-los crescer” ) como era seu dever. Algumas pessoas integras e capazes ligadas ao PSD-M, (a quem reconheço capacidade e de quem tenho prazer de ser amigo) hoje arrependidos, não se reviam na maneira arrogante e insensata do seu líder mas como estavam bem acomodados à sombra do regime nunca tiveram coragem para levantar a voz  e impedir o descalabro total de uma política suicida. Hoje, os que votaram e os que não votaram neste regime interrogam-se: com os bens de primeira necessidade a aumentar a olhos vistos, com mais de 20.000 desempregados, com empresas a abrir falência todos os dias, com 1L de combustível a custar quase 2€ (400 escudos na moeda antiga) com dívidas a curto e longo prazo, como irá a Madeira sair desta situação? Pois é caros leitores, a grande peta começou quando o Governo da RAM “e associados” começou a encher um grande balão de oxigénio que agora rebentou  deixando um grande buraco pronto a nos engolir a todos.
Juvenal Rodrigues
Publicado no Diário Notícias Funchal em 10.04.12


quinta-feira, 15 de março de 2012


Os ciclos da economia

 Há uns anos fui convidado a assistir a um “workshop” cujo orador era Secretário de Estado da economia de um Governo Socialista. Entre outras coisas recordo uma passagem do seu discurso onde ele afirmava que a economia é composta por dois ciclos. Ciclo positivo- que eu interpretei como tempo das vacas gordas- outro negativo- tempo das vacas magras- e que esses mesmos ciclos tinham um tempo de duração mais ou menos longo, 4, 6 ou 8 anos. Não fiquei, na altura, totalmente convencido porque dado a dependência de vários factores e dos gigantescos interesses em jogo achei que esses ciclos eram de difícil previsão. Hoje fazendo uma retrospectiva das condições de vida em Portugal, depois do 25 Abril,  com uma alternância de poder entre dois partidos com tendência centro esquerda (PS) e centro direita PSD/CDS, compreendi, finalmente as afirmações do então Secretário de Estado. Assim, quando sobem ao poder, os governos de esquerda têm tendência a alargar um pouco os cordões à bolsa melhorando ligeiramente as condições de vida da população porém, como os fluxos de capitais são como uma ampulheta  que ao encher-se de um lado esvazia-se do outro, vem os governos de direita e logo tentam repor-lhe o equilíbrio para que o poder económico volte a recompor-se como acontece agora com o actual governo PSD/CDS. De resto já todos compreendemos que isto será sempre assim com qualquer partido que assuma o poder. A manipulação, do poder económico sobre as massas já não é de agora, teve, tem e terá um controlo absoluto na sociedade. Lembro uma frase da filósofa russo-americana, Ayn Rand chegada aos E.U.A que, já na década de 1920, proferiu uma frase que espelha bem o que está a acontecer: “ Quando você perceber que, para produzir, precisa obter autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui não com bens, mas com favores; quando perceberem que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e as leis não nos protegem deles, mas,  pelo contrário são eles que estão protegidos de vocês; quando perceberem que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poder-se-á afirmar, sem temor de errar, que a sociedade está condenada”. No capitalismo não existe dó nem piedade mesmo que haja fome, miséria, convulsões sociais ou mortes o poder económico avançará incólume sobre os escombros sociais a não ser que aconteça como na Islândia onde a população varreu com os políticos e com os grandes capitalistas e depois de ter mergulhado  no caos a sua economia volta a crescer, pelo menos, até que o “monstro” capitalista, à espreita da  1ª oportunidade, volte a controla-los. O mundo está a mudar rapidamente porque deram muito valor ao dinheiro. Uma vez que a ganância é cada vez maior acredito que os ciclos negativos da economia estão para durar a não ser que o verdadeiro poder das massas se organize e consiga inverte-los. O preço a pagar por tal inversão é que será totalmente imprevisível.
Juvenal Rodrigues.

Publicado no Diário Notícias Fx em 14.03.12


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

VIOLÊNCIA E DESTRUIÇÃO







“ A violência e a destruição não têm lugar em democracia”, esta frase de Lucas Papademos, primeiro ministro grego, suscitou-me um turbilhão de pensamentos acerca do que é afinal uma Democracia inventada pelos homens, os mesmos que lhe retiraram o significado tornando-a oca no conteúdo. Como se poderá evitar a violência e a destruição numa democracia, cuja geração de políticos está repleta de oportunistas, corruptos, hipócritas, mentirosos e ignorantes. Esta frase faria todo o sentido se a sociedade tivesse político honestos ou, pelo menos, criasse leis que castigasse severamente os prevaricadores que, sem se saber como, enriquecem do dia para a noite. Os mesmos que, descaradamente, legislam a seu favor aprovando leis que lhes garante imunidade parlamentar para  protegerem a si próprios e assim saírem impunes das ilegalidades que cometem. Por isso o cidadão comum pergunta: como funciona a justiça que deveria ser o garante da democracia? Como se pode confiar num sistema democrático onde a ignorância dos governantes permitiram que o poder económico absorvesse por completo o poder político? Como se deixou que uma economia ultra liberal condicionasse o Mundo ao ponto de o mais pequeno foco de tumultos no Médio Oriente, uma ameaça de desenvolvimento nuclear no Irão, ou um espirro de Obama provoque graves convulsões nos mercados financeiros mundiais sendo sempre as populações a sofrerem as consequências? Isto só prova a terrível influência que os grupos económicos exercem sobre o Mundo. Tudo gira à volta do poder económico que estrangula os países obrigando-os a pedir dinheiro para pagar dívidas aumentando assim a dívida para o futuro. Como se atrevem os governantes a falar em democracia depois de permitirem que o grande lobby da industria farmacêutica comercialize produtos, para a saúde tão caros fora do alcance do simples cidadão que, vivendo do seu salário, já não pode adquiri-los ou ter acesso a uma intervenção cirúrgica  a preços proibitivos? Que democracia é esta que permite que outro grande especulador, o terrível lobby do petróleo, condicione impunemente todo o poder económico estrangulando os transportes, a agricultura as pescas e praticamente toda a economia mundial que depende do petróleo? A actual geração de políticos, que tenta ficar bem na fotografia criou todas as condições para que uma economia ultra liberal metesse num colete de força toda a população mundial a qual já se denomina de escravatura moderna. Os escravos modernos, vitimas da ganância desenfreada, passarão a trabalhar de sol a sol, a não ter acesso à educação, a contar os cêntimos para o super mercado, a abdicarem do pequeno conforto de usar o carro e a entregarem as casas ao banco para voltarem a viver em cabanas. Se é este o conceito de democracia que têm os actuais políticos governantes e a que se refere o 1º Ministro grego então está explicado a violência e destruição em democracia.
Juvenal Rodrigues
Publicado no Diário Notícias em 18.02.12

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

OS DEVANEIOS E AS EXPLICAÇÕES

O Sr. Presidente do Governo, agora que já lhe cheira a perda de votos, vai para a porta das igrejas explicar a crise aos madeirenses. Hilariante! Fazendo uma retrospectiva mental perguntei a mim próprio: mas o que tem ainda para explicar o Sr Governo? vai explicar porque está agarrado ao poder de uma forma inexplicável e doentia que nem que o céu desabasse sobre esta terra ele se demitiria? Vai apregoar uma vez mais que a culpa é de Lisboa e dos partidos da oposição e que só ele tem razão? Com que palavras irá explicar a gestão danosa dos dinheiros públicos gastando milhões a mais para inaugurar obras a tempo das eleições? Como explicar a irresponsabilidade de gastar milhões em campos de futebol, piscinas e no JM para propagandear o seu regime, quando falta dinheiro para pagar às farmácias? Como explicará os aumentos brutais na saúde, nos transportes e nos bens de primeira necessidade? E o preço proibitivo dos combustíveis, a partir de abril, para próximo dos 2 €, devido ao aumento do ISP, para substituir portagens, que até os barcos de pesca vão pagar e que nunca passarão nas vias rápidas, ruas e travessas, que o Dr. Jardim inaugurou no tempo das vacas gordas mas que os madeirenses nem vão usar por falta de dinheiro para comprar esses combustíveis? Será que também irá explicar a saída do navio “Armas” da rota da Madeira isolando-nos pelo mar e agravando ainda mais o nosso custo de vida! Explicará ainda a todos os empresários madeirenses, cujas empresas faliram ou estão em processo de insolvência, porque o Governo da região não lhes pagou os calotes que lhes devia deixando, por arrasto, todo o nosso tecido empresarial à beira do colapso. Se alguém ainda tiver paciência para o ouvir diga-lhes que a sua governação foi um autêntico desastre e explique que toda aquela arrogância e riqueza apregoada não passava de pobreza disfarçada acabando até por hipotecar a própria autonomia que agora passa a ser mandada por Lisboa. Pode ser que se safe se apregoar, como sempre, que a culpa nunca foi sua. Mas também terá que explicar que sempre fez tudo o que entendeu até levar a Madeira à bancarrota, quando os “tontos” dos açoreanos viverão com melhores condições de vida porque tiveram um Governo que não entrou em loucuras para ganhar eleições à força.

Não Sr Presidente, Vª Exª, com verdade, nunca poderá explicar coisíssima nenhuma. Vai é deitar mais um punhado de poeira para os olhos daqueles que sempre confiaram em si, e tentar limpar a sua imagem e a do seu partido únicos responsáveis por esta triste realidade a que a Madeira chegou. Deveria aproveitar o ensejo ajoelhando-se no adro de todas as igrejas da ilha onde fez promessas vãs pedindo perdão a Deus e aos madeirenses porque nunca foi capaz de avaliar a dimensão da sua “cegueira. Se esta tragédia acontecesse num país do Médio Oriente de certeza que o Sr. Governo nem se atreveria a pôr os pés no adro das igrejas.

P.S. Será que no “caderno de encargos” que o Sr. Presidente assinou com a República, ficou proibido aquele devaneio de gastar milhões com o JM?

Juvenal Rodrigues

Publicado no Diário de Notícias Funchal em 8.02.12