segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

NA ROTA DAS FORTUNAS

O Mundo está numa vertiginosa mudança, quanto a mim mais do que seria necessário, todavia uma coisa se mantém praticamente imutável, as grandes fortunas. Se recuarmos no tempo verificamos que as famílias portuguesas como Lima Mayer, José de Melo, Alfredo da Silva, antigos proprietários da CUF, Champalimaud, Espírito Santo etc, continuam a manter a hegemonia do poder económico em Portugal. Quer seja através de casamentos entre estas famílias, quer em sociedades comerciais ou até mesmo acordos, para que nunca percam o controlo financeiro sobre o país, sobre a classe operária  e até mesmo sobre os governos. Já era assim no tempo de Salazar devido à burguesia dominante e agora continuam a usar o seu terrível poder económico para controlar os governos democráticos. Numa carta datada de 1939, Ricardo Espírito Santo escrevia a Salazar “ génio tão admirável o vosso, que consegue, no voo sublime, o milagre de manter o equilíbrio puro de inteligência por tal forma que nos faz compreender, com nunca igual certeza, que Deus fez o homem à sua semelhança. Tirem as vossas conclusões! Já não me restam dúvidas que após o surgimento da Europa dos 6  em 1951 a U.E continuou a crescer (são já 28) porque os grandes grupos financeiros já não cabiam dentro das suas próprias fronteiras  e então criaram uma U.E para que estes possam expandir-se e controlar toda a Europa. Por isso recuso-me a aceitar esta fatalidade das crises cíclicas tal como as pintam porque elas não nascem, são fabricadas e impostas para que os grandes “lobbys” não percam o controlo financeiro afim de manterem refém a classe proletária que quando começa a viver um pouco melhor logo aparecem estas crises. Depois dizem que foi a população que gastou o que não tinha. Pensem um pouco e vejam como nasceu a crise atual. A U.E começa a dar dinheiro a rodos. A título de curiosidade, em 29 de junho 2013 o DN Lisboa noticiava que Portugal recebeu da U.E. 9.000 euros/ dia durante 25 anos. Se as contas não me falham foram 81mil milhões de euros, sem falar no nosso PIB.  Por sua vez os bancos começam a oferecer crédito para a casa, carro, mobília  e ainda ao consumo. Foram os governos a esbanjar as famílias a pensar que já eram ricas porque tinham 2/3 cartões de crédito. Como por magia surge a crise e volta a miséria porque os agiotas exigem agora juros e capital daquilo que emprestaram e que se pensou erradamente que era tudo a fundo perdido. Assim o esquema pré fabricado volta a colocar as famílias poderosas, vulgo grupos económicos, novamente na rota das grandes  fortunas. Isto não acontece só agora, quem consultar a história verá que nos finais do século XIX, Portugal estava nas mãos dos proprietários da terra e dos banqueiros credores da Coroa. As revoluções, tal como a implantação da República em 1910 e a revolução do 25 Abril acontecem quando o povo tende a libertar-se da escravatura económica mas passados poucos anos o capitalismo volta a impor-se e volta a lei do mais forte. Os governos democráticos, uns por incompetência outros por conveniência, esbanjam o dinheiro que supostamente deveria ser aplicado em investimentos com retorno e depois é o Povo a pagar. Eles apenas sabem empurrar os problemas para o Governo anterior como fez recentemente Paulo Portas “o irreversível” que despudoradamente afirmava: “os socialistas são muito bons a gastar o dinheiro dos outros e depois chamam-nos para compor as coisas. Então foram só os socialistas? É com este descaramento que nos vão enrolando! Acaso lembra-se do ruinoso e corrupto negócio dos submarinos? Acaso lembra-se do ano negro de 2002 quando a coligação PSD/CDS esteve no Governo? Lembra-se por acaso que quando José Socrates saiu do Governo tínhamos um défice de 93% e agora com este Governo está em 127%?
O “paulinho das feiras” também não disse é que os governos de direita não têm nem nunca tiveram o mínimo de sensibilidade social têm é uma apetência doentia por números que escravizam a população. Depois vêm os governos de esquerda que tendem a abrir, um pouco, os cordões à bolsa para afrouxar o garrote financeiros mas logo aparecem os P. Portas, os P. Coelhos, os “lobbys” e os corruptos dizendo que a população está a viver acima das posses e começa a cortar em ordenados e reformas e aumentar o custo de vida  para manter a hegemonia das tais famílias. Deixem cair a máscara e digam de uma vez que acham justo  que metade dos pobres do Mundo têm tanto como as 85 pessoas mais ricas, ou seja, a riqueza do Mundo está nas mãos de apenas um 1% da população, isto segundo o relatório da ONG oxform tornado público em janeiro de 2014 e que ainda acrescenta que a fortuna dos mais ricos duplicou em poucos anos de crises. É esta justiça social que governos ditos democráticos defendem? Se passam a vida a fazer leis inúteis para coagir os cidadãos porque não estabelecem regras para uma economia que se quer livre mas regrada e que não escravize as populações?
Publicado nos artigos "Opinião" do Diário Notícias Madeira em 14 Fevereiro 2014
Juvenal Rodrigues

Para quem quiser tirar dúvidas veja o filme da RTP 2 que passou às duas da madrugada.   http://vimeo.com/40658606

OS DESCONTOS PARA A REFORMA

Os governantes já não sabem o que inventam para justificar a sua incompetência. Creio que um dia destes, se não me falha a memória, ouvi o Sr. Ministro Adjunto Poiares Maduro afirmar que os reformados não descontaram o suficiente para auferirem a reforma a que têm direito. Se o senhor Ministro se dignar descer ao Mundo real venha fazer as contas com um simples cidadão que trabalhou uma vida. Pegue na calculadora! Partindo do pressuposto que um cidadão trabalhou 40 anos auferindo um vencimento mensal bruto de 1.000€. Se o Sr. Ministro não entrar pela conversa política que tudo justifica, chega-se a uma simples conclusão: 1.000€ mensais x 14 mensalidades = 14.000€ / ano. Deste valor é descontado para a Seg. Social 34% (24% da entidade patronal + 10% do trabalhador) o que perfaz a quantia de 4.760€/ano. Multiplicando este valor por 40 anos de descontos temos 190.400€ descontados à conta do trabalhador, para a S.Social durante a sua carreira. Agora vejamos. Este trabalhador, tendo em conta o seu ordenado mensal, deve passar a auferir uns 500€/mês quando chegar aos 65 anos, idade da reforma. Admitindo que a esperança de vida actual ronde os 80 anos temos que esse mesmo trabalhador vai receber, grosso modo, durante os seus restantes 15 anos de vida o montante de 105.000€ ( 14 meses x 500€ = 7.000 x 15 anos). Por estas contas simplificadas um trabalhador, durante 40 anos da sua carreira, contribuiu com 190.400€ para a S.S. e mais tarde, durante 15 anos de reforma recebeu, como retorno, apenas 105.000€ verificando-se um remanescente a favor do Estado de 75.400€ que deverá ser aplicado no sistema de saúde. Estas são as contas que um simples cidadão sem (dr) e sem formação em economia faz mas se eu estiver enganado o Sr Ministro deve descer do seu pedestal e explicar, sem aqueles (rodriguinhos) que os políticos arranjam para ter sempre razão, como se fazem as contas de uma carreira contributiva para a S.Social e sistema de saúde. Não vale a pena vir com a (lenga-lenga) que antigamente os ordenados eram mais baixos, etc, etc porque leva desde já com a resposta que antes também a esperança de vida era menor rondando apenas os 60/65 anos. Já agora explique também se os ex e atuais presidentes da República mais os da Ass. Da República assim como outros assalariados da política, descontaram para ter 2 ou mais vencimentos mensais e ainda aqueles senhores deputados que estiveram 12 anos na A da República ou nas A Regionais, e já têm uma reforma por inteiro. Acha que esses (trabalhadores) é que descontaram o suficiente para terem essas reformas principescas? Senhor Ministro Adjunto e outros governantes o Povo português pode não se manifestar muito mas não é assim tão tacanho para acreditar em tudo! 
Publicado nas "cartas do leitor do Diário Notícias Madeira em 10 Fevereiro 2014
Juvenal Rodrigues

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Acredito que hoje vou ser polémico já que vou abordar um tema quase tabu para os homens mas muito badalado pelas mulheres. Arrisco mesmo a “levar com o rolo da massa” mas se conseguir com isto evitar apenas uma cena de violência num lar acho que já valeu a pena.  Muito se tem falado e escrito sobre a violência doméstica referindo apenas a face visível deste problema ou seja a violência física onde o homem, quase sempre, leva a melhor. Mas este tema não se esgota na força física, é muito mais abrangente, complexo e requer análise mais elaborada. Será o homem o único culpado pela violência no lar? Eu designaria à partida algumas formas de provocar conflitos no casal. A primeira, quiçá a mais condenável, é sem duvida a violência física exercida quase sempre pelo homem que por ser fisicamente mais forte provoca muitas mazelas e até homicídios. Porém existe também a violência psicológica para onde as mulheres se inclinam mais e ai não se sabe quem é mais forte. A violência gestual onde qualquer um dos intervenientes ameaça com aquilo que tem à mão e daquele gesto nasce a agressão. Outra terrível forma de violência é a verbal onde o homem e a mulher se agridem mutuamente com palavras ofensivas, amuos, gestos obscenos ou “berros” e como nenhum se cala e os impropérios continuam impõe-se, de seguida, a lei do mais forte. Até a violência de um olhar carregado de ódio também pode desencadear a pancada. Como vêm existe muitas formas de violência  e poucas fórmulas para resolve-las. Serão os beligerantes capazes de começar a inverter algumas? Antes dos contendores invocarem os assaz direitos porque não invocar primeiro os deveres?  Porque não usar o bom senso e a tolerância para chegar aquele diálogo que tem o condão de evitar a violência física e verbal? Porque não evitar o vocabulário impróprio, pelo menos no calor da discussão, usando a palavra mágica “desculpa” ou “veremos isso mais tarde”? Exceptuando os casos em que o homem chega a casa embriagado e mal entra à porta começa à zaragata com a esposa e os filhos pode sempre haver maneira de apaziguar os ânimos se houver inteligência e bom senso. Na maior parte das vezes a mulher vai participar á polícia (o homem não vai por vergonha) e acaba nos tribunais mas apenas resolve um problema de direito já que os problemas conjugais adensam-se porque a justiça é feita à base de frias leis que não contemplam sentimentos e quem acaba por mais sofrer são as crianças com a violência e a separação dos progenitores? Será que não valeria a pena evitar tudo isto em nome da paz e do bem estar das crianças? Todas as formas de violência deveriam ser banidas da face da terra mas para isso é necessário que as pessoas ponham os deveres acima dos direitos. Em próxima oportunidade abordarei um tema também muito controverso, a lei da paridade.

Juvenal Rodrigues           

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

DESEMPREGO, O CANCRO DO FUTURO





2014 iniciou o seu inalterável percurso de 365 dias. Com tempestades ou bonanças,  guerra ou paz, fartura para alguns e miséria para outros, os sinuosos caminhos do ano novo terão que ser percorridos. Cabe ao homem continuar gerindo os meses, as semanas, os dias, as horas e os minutos. Pena é que o animal mais perigoso sobre a terra – o homem- tenha perdido por completo, a noção do bem comum e continue a geri-lo sempre em proveito próprio. Obcecado pela ganância nem se dá conta que os ciclos de 365 dias, inevitavelmente, terão fim. Esse animal, dito racional, está a provocar a destruição da vida na terra porque ainda não compreendeu que tudo, no Mundo, tem que ser gerido com bom senso, ponderação e equilíbrio, até o dinheiro.
A era da tecnologia avança a um ritmo estonteante mas preocupante. Todo o Mundo vibra com as novas tecnologias – eu não fujo à regra- dos computadores, dos telemóveis, das compras pela Internet, dos futuros “drones” para efetuar as entregas dessas mesmas compras. Uma infinidade de bens e serviços ao alcance de um clique. Não estou contra elas, quanto mais não fosse porque são irreversíveis, não obstante tudo tem um preço e esse será um desemprego ascendente no Mundo. Os governantes têm obrigação, desde já, começar a debater as graves consequências dum futuro próximo dominado por esse flagelo ou corremos o sério risco de tornar o ser humano descartável. Como reagirá o homem absolutamente dependente de um emprego para sobreviver num Mundo mais globalizado e mais dependente do dinheiro? Vamos criar uma sociedade de mendigos dependentes de federações de caridade? É certo e sabido que a escassez de meios levará ao roubo à violência e até à guerra feroz  pela sobrevivência onde a ficção de hoje será a realidade do amanhã quando o homem passar para segundo plano no grau de prioridades.
A velha Europa desde 1951 com a nascimento da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, CECA, fruto de uma ideia de Jean Monnet e apresentada por Robert Schuman, ministro dos negócios estrangeiros de França, conhecida como a Europa dos seis, começou a ter uma visão coletiva de uma Europa virada para um crescimento sustentado o que, de certo modo, viria a conseguir ao ponto de integrar o Reino Unido a Dinamarca e a Irlanda. Nascia a “Europa dos nove. Mais tarde com a integração da Grécia, Portugal e Espanha passou à “Europa dos doze” e em 2007 já estávamos na Europa dos 27. Porém, do meu ponto de vista, desde a Europa dos 9 temos vindo a regredir por uma gritante falta de clarividência e de uma visão estratégica já que se enveredou pela senda do capitalismo selvagem que tudo destrui  esquecendo os valores familiares e sociais, pilhares que têm suportado o Mundo, e isto não augura nada de bom. A U.E. tornou-se num clube onde todos querem entrar, não pelos benefícios mas porque já não há alternativa ao grande capital e se tentam lutar contra ele são obrigados a afundarem-se sozinhos. O Tratado de Lisboa assinado pelos 27, em dezembro de 2009 e considerado um feito histórico, trazia nova esperança mas os grandes lobbys e os políticos corruptos uma vez mais impediram que fosse alterada uma política totalmente virada para o materialismo. O passo para o abismo, da Europa e do Mundo, será a gradual substituição do homem pela máquina quando esta lhe roubar o emprego, única forma que ele tem para sobreviver. Os governantes muito mal preparados política e tecnicamente, estão manietados pela ilusão de um crescimento económicos sem fim, dogma dos especuladores e corruptos que, enquanto obtiverem lucros fáceis, não querem saber dos problemas sociais.  Sintomático será o que acontece com  o nosso 1º Ministro absolutamente dependente dos investidores que,  para salvar Portugal da crise financeira, vai “matar” os portugueses. Quando chegamos ao ponto do Estado sortear automóveis para arrecadar dinheiro acho que ilustra bem tudo aquilo que referi.
Quanto tempo levarão os governantes a perceber que o rumo do Mundo não pode ser traçado por meia dúzia de grupos económicos gananciosos?
A propósito, já alguém questionou como é que um país tão pequeno como Portugal dá tantos cargos de destaque na Europa? Durão Barroso, Jorge Sampaio, António Guterres, Victor Constâncio. Seguir-se-á Victor Gaspar e provavelmente Passos Coelho e Paulo Portas.
Estranha coincidência ou serão os portugueses os cobaias para estes meninos subservientes, ao serviço dos grandes lobbys, ganharem estes prémios?
Como já nem os políticos têm dúvidas que o grande problema do futuro será o desemprego, comecem a prevenir agora para não remediar mais tarde.
Juvenal Rodrigues

publicado na página opinião do Diário Notícias Funchal em 13.01.2014 

 A propósito, vale a pena ver a entrevista do Papa Franciasco no link abaixo

domingo, 1 de dezembro de 2013

TÊM MEDO DE QUÊ




 No fim do pretérito mês de agosto, uma sondagem do “Expresso” e da “SIC” revelava as intenções de voto para as eleições Autárquicas de 29 de setembro, na Madeira, as quais davam 36.4% para o candidato do PSD-M Bruno Pereira, 28.8% para Paulo Cafôfo pela coligação Mudança, 24.8%  para José M. Rodrigues do CDS e 6.9% para Artur Andrade da CDU. Se a sondagem para os últimos três candidatos não me surpreendeu, o mesmo não posso dizer do candidato do PSD-M, ao serviço do Dr. Jardim e da Quinta Vigia,  que ainda consegue estar à frente nessas sondagens. Onde têm andado os madeirenses e o que é que aprenderam com estes 36 anos de má governação do PSD no Governo, nas Câmaras, nas Juntas de Freguesia, nas Casas do Povo, nos organismos desportivos, ou melhor, em tudo o que mexe na Madeira? Acaso estão satisfeitos com uma governação que levou a Madeira, à miséria, ao ostracismo, à bancarrota e até a perda da autonomia? Não tiveram tempo para comparar a governação dos Açores que hoje goza de uma melhor saúde financeira e política para bem da sua  população? Outro dado que me surpreendeu foi que, das 633 pessoas entrevistadas, 123 não aceitaram responder. Têm medo de quê? Acaso sabem que vivemos em democracia desde abril de 1974? Sabem que o voto é secreto? Sabem que as reformas, a saúde, a S. social são pagas (?) pela República e não é o PSD-M que lhes vai tirar essas, já poucas, regalias? Sabem ainda que até houve 6 partidos que, abdicando da sua ideologia política, das suas convicções pessoais e de candidatos próprios, se uniram e convidaram um independente sem filiação partidária, Paulo Cafôfo, que juntou uma equipa sem filiação partidária, que é como quem diz, sem vícios políticos, para formarem a coligação “Mudança? Não se sentem na obrigação de defender os vossos filhos e netos? Caros conterrâneos depois de tantos anos de péssima governação laranja ainda não é desta vez que apostam na mudança? Estão a pagar alguma promessa eterna a um partido corroído por dentro onde 49% odeia o “meio chefe” e os outros 51% apenas o suportam para conseguirem um lugar ao sol? Não estão fartos de prepotência e arrogância de um reles imitador de ditador que já não sai à rua sem uma “guarda pretoriana? Que vos enxovalha, humilha, injuria e vos trata por cachorros, patas rapadas, vadios e herbívoros (vacas e bois)? Sei que as pessoas mais humildes e mais necessitadas, aquelas que mais precisariam de ler este texto, não devem estar a fazê-lo mas é obrigatório que os vossos amigos e familiares, sobretudo os mais jovens, vos ensinem o que é uma mudança em democracia para não sofrerem, no futuro, as consequências do voto errado desta geração.
Juvenal Rodrigues  
Publicado no D.Notícias da Madeira em 6.10.13 em "cartas do leitor"

A DERRAMA



Este regime laranja, mesmo em fim de prazo, continua a surpreender. Agora foi o Sr. Presidente, Pedro Coelho, da C.M.C.Lobos que descobriu a solução milagrosa para os males das pequenas e médias empresas da Madeira. Passam a sua sede para C.Lobos e acabam por enriquecer com os 0,5% da taxa de derrama que irão poupar. Santa demagogia! Este senhor, agora Presidente, enquanto Deputado na A L M que sempre esteve ao lado da maioria social-democrata para aprovar (ou pelo menos concordar) com os aumentos de IRS, IRC, IVA, IMI, IUC, lei das finanças regionais, etc etc. que estão a estrangular o comercio e a levar Madeira à falência, descobriu que o que vai salvar as PMEs é a taxa de 0,5% da derrama aplicada a uma empresa que tem um lucro tributável (lucro após as despesas) de 150.000€. Tomara que todas as empresas madeirenses apurassem esse lucro no fim de um ano e os problemas do nosso comércio estariam resolvidos assim como o problema do desemprego. O Sr. Pres., Pedro Coelho atrofiado pela demagogia populista nem pensou que esta taxa da derrama tem um valor tão irrisório nas empresas que a nenhuma interessaria, financeiramente, a sua deslocação para o seu Concelho, quanto mais não fosse, só pelas maçadas burocráticas. Antes de dizer disparates para tentar disfarçar o desastre que foi o seu partido na região deveria ter em conta que o valor em questão é  por uma boa causa ( ajudar as despesas com os medicamentos dos idosos) e não para ir passear para Bruxelas. O Sr. Presidente da C.M.F, Paulo Cafôfo, pelo menos, está a mostrar-se sensível aos problemas daqueles mais necessitados cumprindo com as suas promessas eleitorais. O que os madeirenses não entendem é que o seu PSD que antes achincalhava todos os partidos da oposição agora até se alia à CDU  na Assembleia Municipal  do Funchal tentando impedir que sejam aprovadas medidas sociais
para ajudar os pobres que o Governo Regional e as Câmaras “laranja” criaram em todos estes anos. Foi ainda o seu partido que, em todo o tempo que governou, apenas mostrou sensibilidade para com os amigos, compadres , afilhados e todos os que tinham cartão laranja. Sr. Presidente acautele-se porque com todos os “buracos” que estão agora a descobrir-se nas anteriores Câmaras de cor laranja penso que os empresários de Câmara de Lobos é que ainda terão que deslocar a sua sede para o Funchal. Já agora aproveite a embalagem e tente descobrir se também existe algum “buraco” na sua Autarquia.

Juvenal Rodrigues  
Publicado no D.Notícias Madeira em 27.11.13 "cartas do leitor"

O ESVANECER DA QUIMERA



O esvanecer da quimera

Este regime laranja, já em estertor, procura ainda deixar bem instalados os seus fieis correligionários

 
Juvenal Rodrigues
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Foi uma noite longa, fria e escura com 36 anos mas como não à mal que sempre dure os madeirenses começam finalmente a assistir ao esvanecer da quimera no dia 29.09.13. a revolução dos cravos chegava finalmente. O U.I. e os donos da Madeira nova engoliram a sua arrogância ao serem derrotados pelos “patas rapadas” encerrando assim um capítulo negro (politicamente falando) da nossa História.  
Este povo, que durante estes anos ingenuamente alimentou uma utopia, foi às urnas dizer que estavam fartos de humilhações e de imposições ditatoriais e que acabou o tempo dos senhores intocáveis. Estes jamais voltarão a nos pôr a canga  porque a população aprendeu a lição e gritaram bem alto: ditadura nunca mais! 
Em desespero de causa aqueles  que toda a vida viveram na mesa farta deste regime ainda farão tudo, nas Câmaras e Juntas de Freguesia, para desacreditarem os novos governantes e fazerem crer que o povo se enganou ao escolher a mudança. Verdade seja dita que os estigmas herdados levarão o seu tempo a desvanecer mas os homens e mulheres de boa  vontade, agora eleitos, hão-de ter arte para escrever um capítulo novo da história da Madeira tratando os cidadão como pessoas até mesmo os mais desfavorecidos.    
Esta tomada de posse da CMF, ao contrário dos outros atos simbólicos, teve  participação popular, teve sorrisos, teve abraços e teve uma alegria expontânea de quem à muito tempo não participava num ato de democracia. Os presentes perceberam que a CMF já não era um dos tentáculos do polvo instalado na Quinta Vigia e que outros concelhos também se libertaram. Pena foi a agora “costa laranja” não ter optado também pela libertação mas lá chegarão. 
O dr. Jardim, igual a si próprio, poderá continuar, com a arrogância que o caracteriza, a retirar estradas municipais à CMF e poderá até, por retaliação, retirar os jardins de Stª Luzia já que a raiva está a corroer-lhe as entranhas e já não sabe o que faz para se vingar. Percebeu que a Madeira já não é sua quinta nem os madeirenses são seus escravos porque se fartaram de tirania, prepotência, arrogância, perseguições políticas e vinganças mesquinhas. 
Este Dr. Jardim depois de colocar a Madeira na bancarrota e empurrar os problemas com a barriga é o mesmo que agora foge para Estrasburgo e deixa o povo entregue à sua sorte sem apresentar uma única solução para o problema da fome e do desemprego mas quando lhe convinha apregoava no Chão da Lagoa que defendia a Madeira e os madeirenses. A mim nunca me enganou.   
Este regime laranja, já em estertor,  procura ainda deixar bem instalados os seus fieis correligionários como aconteceu recentemente com os dois ex-autarcas que perderam a CM Santana e serão colocados, como assessores, na S.R E. Que sorte tiveram num tempo tão difícil para conseguir emprego! Outros se seguirão porque é tempo de salvaguardar os interesses dos fieis servidores do regime até 2015. Entretanto o U.I. vai cozendo em lume brando até perceber que os cemitérios estão cheios de insubstituíveis e que a Madeira é perfeitamente governável sem ele.  Os outrora companheiros de partido, agora com a “casa a arder” ,já não o querem e a população já não o tolera. 
Infelizmente para a Madeira e os madeirenses vaticino tempos difíceis e acredito que as Câmaras e Juntas de Freguesia, agora eleitas,  terão dificuldade acrescida. Primeiro porque será difícil o entendimento com o Governo Regional. Segundo porque os depauperados cofres das autarquias ficaram “limpos. Terceiro  porque a maioria delas não têm uma maioria absoluta e terão que fazer acordos com os que perderam, gente do PSD  que agora farão tudo para dificultar a vida aos novos dirigentes. Mas também estou convicto que os madeirenses amadureceram bastante com esta experiência de 3 décadas e meia e que se tal acontecer, ou seja, se os saudosos do regime quiserem boicotar a vontade popular a população não hesitará em arrasar de vez com o PSD-M.   
Como nota final apenas um apontamento: Sempre que se aproxima o Natal, a Páscoa ou época de verão voltam os vergonhosos e especulativos preços nos transportes aéreos subindo até quase 500€ uma passagem entre o Continente e a Madeira quando se viaja para frança ou Inglaterra por 49€  Como podem os estudantes e outros familiares residentes no continente visitar as famílias? Como incentivar o turismo para os continentais? Quando pararão os especuladores de estrangular a já débil economia da Madeira?