sexta-feira, 11 de abril de 2014

A VOZ DA OPOSIÇÃO



A VOZ DA OPOSIÇÃO
Quem diria que a Madeira mudaria tão radicalmente em tão pouco tempo! Ou melhor como os políticos do “laranjal” mudariam radicalmente de discurso logo que sentiram os seus interesses político/financeiros ameaçados. A “Autonomia XXI” fala agora a voz da oposição! Agora que o regime laranja está agonizante nascem grupos de “laranjinhas” a defenderem  posições que a oposição madeirense sempre defendeu mas que os senhores todo poderosos, tanto na A L M,  no Chão da Lagoa e nas inaugurações das espetadas e vinho seco, para agradar ao chefe, afirmavam categoricamente que os outros partidos eram uns tontos e, até achincalhavam as pessoas que pensavam diferente. Esta “Autonomia XXI” fala agora numa nova atitude e um novo compromisso democrático. Então estão a reconhecer agora que a  vossa atitude na A L M durante todos estes anos nunca prestou? Reconhecem agora que o vosso papel era fiscalizar o Governo e não ao contrário? Reconhecem agora que o vosso compromisso democrático era defender a Madeira e o Povo e não defenderem as costas de Alberto J. Jardim? Com mais ou menos floreado defendem 6 círculos eleitorais e 41 deputados quando o PS-M e outros já à muito proponham a redução de deputados. Nem sequer o voto eletrónico presencial é uma inovação porque quando o Cartão de Cidadão passou a ser emitido já contem um “chip” para esse fim faltando apenas a instalação dos aparelhos de leitura óptica nas mesas de voto. A limitação de mandatos já está em vigor a nível nacional e até na Madeira mas o U.I  baseou-se num regimento da A L M, feito à medida para contornar a lei e que se saiba os deputados do PSD-M sempre acharam bem para não desagradar ao chefe. Como querem reforçar o poder legislativo na Madeira se o vosso consagrado líder foi atolando a Madeira em dívidas até perder a autonomia financeira e política que tanto custou a conquistar? Achei imensa piada aquela do debate quinzenal com o Governo e uma unidade técnica de acompanhamento. A oposição sempre chamou o Governo a debater os problemas da região na ALM e também apresentou “N” propostas para  comissões técnicas afim de averiguar as diversas áreas, públicas ou público/ privadas onde havia sinais evidentes de má gestão e promiscuidade mas estes mesmos senhores, pretensiosamente intitulados de movimento geracional, chumbaram tudo.  Ainda que mal pergunte, onde andaram durante 40 anos os intergeracionais mentores deste grupo? Estiveram á espera do “espalhanço” do líder para aprenderem o que é  democracia? 
Senhores antigos donos da Madeira convençam-se que o vosso reinado chegou ao fim porque a maioria dos madeirenses já compraram óculos anti-poeira laranja. 
Juvenal Rodrigues
Publicado nas "cartas do leitor" do D.Noticias em 11.04.14


terça-feira, 1 de abril de 2014

UMA VERGONHA


UMA VERGONHA
 Especialmente dedicada ao "sr ministro" Poiares  Maduro pelas suas "brilhantes" declarações proferidas em 05/02/2014, acerca da sustentabilidade das reformas...
VERGONHA é comparar a Reforma de um Deputado com a de uma Viúva.
VERGONHA é um Cidadão ter que descontar 35 anos para receber Reforma e aos Deputados bastarem somente 6 ou 12 anos conforme o caso. E que aos membros do Governo, para cobrar a Pensão Máxima, só precisam do Juramento de Posse.
VERGONHA é que os Deputados sejam os únicos Trabalhadores (???) deste País que estão Isentos de 1/3 do seu salário em IRS.
VERGONHA é pôr na Administração milhares de Assessores (leia-se Amigalhaços) com Salários que desejariam os Técnicos Mais Qualificados.
VERGONHA é a enorme quantidade de Dinheiro destinado a apoiar os Partidos, aprovados pelos mesmos Políticos que vivem deles.
VERGONHA é que a um Político não se exija a mínima prova de Capacidade para exercer o Cargo (e não falamos em Intelectual ou Cultural)..
VERGONHA é o custo que representa para os Contribuintes a sua Comida, Carros Oficiais, Motoristas, Viagens (sempre em 1ª Classe) e Cartões de Crédito.
VERGONHA é que s. exas. tenham quase 5 meses de Férias ao Ano (48 dias no Natal, uns 17 na Semana Santa mesmo que muitos se declarem não religiosos, e uns 82 dias no Verão).
VERGONHA é s. exas. quando cessam um Cargo manterem 80% do Salário durante 18 meses.
VERGONHA é que ex-Ministros, ex-Secretários de Estado e Altos Cargos da Política quando cessam são os únicos Cidadãos deste País que podem legalmente acumular 2 Salários do Erário Público.
VERGONHA é que se utilizem os Meios de Comunicação Social para transmitir à Sociedade que os Funcionários só representam encargos para os Bolsos dos Contribuintes.
VERGONHA é ter Residência em Sintra e Cobrar Ajudas de Custo pela deslocação à Capital porque dizem viver em outra Cidade.
Este foi um e.mail que recebi de um amigo e passo a publicar por achar ser verdadeiro e pertinente 
Esta deveria ser uma dessas correntes que não deveriam romper-se pois só nós podemos remediar TUDO ISTO.

ATÉ A DERROTA FINAL

Até á derrota final

De derrota em derrota vai Alberto J.Jardim até à derrota final. Já em 26.09.11 eu escrevia nas “cartas do leitor” que o Dr. Jardim sairia um dia pela porta pequena sem honra nem glória. Hoje é nitidamente visível que, pior do que isso, será escorraçado qual lobo moribundo incapaz de defender-se da alcateia. De único e insubstituível passou a ser perfeitamente descartável.  Serão os  próprios companheiros de partido que outrora o bajulavam a dar-lhe a estocada final porque acabou os tempos das “vacas gordas” e assim acabou-se o respeito e a subserviência. Acabou a mania da   riqueza, que até empolou o PIB, quando faltou o dinheiro da EU. O reino do laranjal  desmoronou-se. Os que agora o apelidam de irresponsável, vingativo e teimoso  têm razão mas moralmente nenhum tem o direito de apontar-lhe o dedo já que foram coniventes  durante 36 anos enquanto lhes convinha. Agora que perceberam que o Dr. Jardim será o coveiro da Madeira e do partido com a sua filosofia muito própria “depois de mim o caos”, apareceram logo 5 candidatos receosos que a hegemonia laranja desapareça do panorama político madeirense dando lugar a uma travessia do deserto de 39 anos, tantos quantos governou.  Lembram-se  quando o PS-M, discutia lideranças e algumas divergências internas próprias de regimes democráticos e vinha o “rei” no auge da arrogância e boçalidade apelida-los com as mais imbecis alcunhas?  Porém, que eu me lembre, nunca esse  partido teve 5 candidatos à liderança de uma só vez.
Este PSD-M que por via da máquina montada ao longo dos anos por Jardins, Ramos, Mendonças, Gulhermes, Tranquadas, Pitas, Cunhas e outros, jamais rebentaria por fora, acabou por rebentar por dentro. Esta geração de madeirenses jamais irá esquecer e perdoar o estado de calamidade em que os intocáveis senhores do regime deixaram a Madeira com dívidas que nem a próxima geração conseguirá saldar. Enquanto alguns, nas barbas de Jardim, se entretinham a enriquecer, o líder subia ao Chão da Lagoa fazer guerrinhas contra Lisboa em vez de negociar os interesses da região. E ainda aproveitava para “envenenar” uns madeirenses contra os outros. Quem não aceitou vergar-se à prepotência de um U.I.,e se  atreveu a denunciar a ditad...digo, a democracia atípica deste senhor, foi achincalhado, perseguido, humilhado e sujeito a retaliações por um homem que apenas teve o mérito de gastar dinheiro que não era seu, para ganhar eleições. 
Hoje confessa-se cansado do PSD-M. Pudera, até aqueles que em tantos anos sempre estiveram calados, aparecem agora com ideias luminosas para salvar a Madeira que ele atolou! Agora já ninguém obedece ao grande chefe porque afinal ele perdeu 7 Câmaras e já não tem dinheiro nem mordomias para distribuir. Resumindo, a máquina montada para ganhar eleições começa a perder os parafusos. Até já fala em fundar um novo partido! Só se for com ovelhas e carneiros que lhe obedeçam cegamente tal como ele sempre adorou. 
Estes 36 anos de governação total só aconteceram porque muitos madeirense, por desleixo ou comodismo se convenceram que poderiam alhear-se da política e dos partidos e deixaram o Dr. Jardim à vontade. Mas creio que esta governação ensinou-lhes que jamais conseguirão livrar-se dos políticos já que são eles a condicionar toda a nossa vida para o bem ou para o mal.
Por isso no Mundo atual onde grassa a incompetência, e a ganância entre governantes insensíveis aos problemas das populações, temos que saber usar o voto e lutar pelos nossos direitos sob pena de sujeitarmo-nos irremediavelmente a uma escravatura moderna delineada à medida dos grandes “lobby” em promiscuidade com governos corruptos. Quer provas? Aqui vai! Passos Coelho afirma publicamente que o convite a Jardim para ocupar a tal “prateleira dourada” no Parlamento Europeu era para lhe dar uma saída digna da cena política. Isto seria hilariante se não fosse tão grave uma vez que atesta a promiscuidade e proteção entre alguns políticos. Então o objetivo não é colocar no P.E. alguém que defenda a nossa região? Acham que o Dr. Jardim seria a pessoa indicada depois de 36 anos de democracia deficitária com a agravante de ter colocado a Madeira na bancarrota?
É obvio que o Dr. Jardim não quer nem sabe governar num sistema democrático, sente-se bem é em regimes ditatoriais 
Não vamos aceitar que estes figurantes se sirvam do Povo para trocas de mordomias entre eles enquanto nos obrigam a mendigar um prato de sopa, à porta de uma qualquer instituição de solidariedade, para matar a fome aos filhos.
Parafraseando Mahatma Gandhi “cada dia a natureza produz o suficiente para nossas carências. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no Mundo e ninguém morreria de fome”
Basta de pouca vergonha! o Povo exige respeito dos governantes que são eleitos para gerir e defender o património de um país que é nosso e não para se servirem e servirem os amigos.

Juvenal Rodrigues 


Publicado na página “opinião” D.Notícias Madeira em 20.03.14

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

NA ROTA DAS FORTUNAS

O Mundo está numa vertiginosa mudança, quanto a mim mais do que seria necessário, todavia uma coisa se mantém praticamente imutável, as grandes fortunas. Se recuarmos no tempo verificamos que as famílias portuguesas como Lima Mayer, José de Melo, Alfredo da Silva, antigos proprietários da CUF, Champalimaud, Espírito Santo etc, continuam a manter a hegemonia do poder económico em Portugal. Quer seja através de casamentos entre estas famílias, quer em sociedades comerciais ou até mesmo acordos, para que nunca percam o controlo financeiro sobre o país, sobre a classe operária  e até mesmo sobre os governos. Já era assim no tempo de Salazar devido à burguesia dominante e agora continuam a usar o seu terrível poder económico para controlar os governos democráticos. Numa carta datada de 1939, Ricardo Espírito Santo escrevia a Salazar “ génio tão admirável o vosso, que consegue, no voo sublime, o milagre de manter o equilíbrio puro de inteligência por tal forma que nos faz compreender, com nunca igual certeza, que Deus fez o homem à sua semelhança. Tirem as vossas conclusões! Já não me restam dúvidas que após o surgimento da Europa dos 6  em 1951 a U.E continuou a crescer (são já 28) porque os grandes grupos financeiros já não cabiam dentro das suas próprias fronteiras  e então criaram uma U.E para que estes possam expandir-se e controlar toda a Europa. Por isso recuso-me a aceitar esta fatalidade das crises cíclicas tal como as pintam porque elas não nascem, são fabricadas e impostas para que os grandes “lobbys” não percam o controlo financeiro afim de manterem refém a classe proletária que quando começa a viver um pouco melhor logo aparecem estas crises. Depois dizem que foi a população que gastou o que não tinha. Pensem um pouco e vejam como nasceu a crise atual. A U.E começa a dar dinheiro a rodos. A título de curiosidade, em 29 de junho 2013 o DN Lisboa noticiava que Portugal recebeu da U.E. 9.000 euros/ dia durante 25 anos. Se as contas não me falham foram 81mil milhões de euros, sem falar no nosso PIB.  Por sua vez os bancos começam a oferecer crédito para a casa, carro, mobília  e ainda ao consumo. Foram os governos a esbanjar as famílias a pensar que já eram ricas porque tinham 2/3 cartões de crédito. Como por magia surge a crise e volta a miséria porque os agiotas exigem agora juros e capital daquilo que emprestaram e que se pensou erradamente que era tudo a fundo perdido. Assim o esquema pré fabricado volta a colocar as famílias poderosas, vulgo grupos económicos, novamente na rota das grandes  fortunas. Isto não acontece só agora, quem consultar a história verá que nos finais do século XIX, Portugal estava nas mãos dos proprietários da terra e dos banqueiros credores da Coroa. As revoluções, tal como a implantação da República em 1910 e a revolução do 25 Abril acontecem quando o povo tende a libertar-se da escravatura económica mas passados poucos anos o capitalismo volta a impor-se e volta a lei do mais forte. Os governos democráticos, uns por incompetência outros por conveniência, esbanjam o dinheiro que supostamente deveria ser aplicado em investimentos com retorno e depois é o Povo a pagar. Eles apenas sabem empurrar os problemas para o Governo anterior como fez recentemente Paulo Portas “o irreversível” que despudoradamente afirmava: “os socialistas são muito bons a gastar o dinheiro dos outros e depois chamam-nos para compor as coisas. Então foram só os socialistas? É com este descaramento que nos vão enrolando! Acaso lembra-se do ruinoso e corrupto negócio dos submarinos? Acaso lembra-se do ano negro de 2002 quando a coligação PSD/CDS esteve no Governo? Lembra-se por acaso que quando José Socrates saiu do Governo tínhamos um défice de 93% e agora com este Governo está em 127%?
O “paulinho das feiras” também não disse é que os governos de direita não têm nem nunca tiveram o mínimo de sensibilidade social têm é uma apetência doentia por números que escravizam a população. Depois vêm os governos de esquerda que tendem a abrir, um pouco, os cordões à bolsa para afrouxar o garrote financeiros mas logo aparecem os P. Portas, os P. Coelhos, os “lobbys” e os corruptos dizendo que a população está a viver acima das posses e começa a cortar em ordenados e reformas e aumentar o custo de vida  para manter a hegemonia das tais famílias. Deixem cair a máscara e digam de uma vez que acham justo  que metade dos pobres do Mundo têm tanto como as 85 pessoas mais ricas, ou seja, a riqueza do Mundo está nas mãos de apenas um 1% da população, isto segundo o relatório da ONG oxform tornado público em janeiro de 2014 e que ainda acrescenta que a fortuna dos mais ricos duplicou em poucos anos de crises. É esta justiça social que governos ditos democráticos defendem? Se passam a vida a fazer leis inúteis para coagir os cidadãos porque não estabelecem regras para uma economia que se quer livre mas regrada e que não escravize as populações?
Publicado nos artigos "Opinião" do Diário Notícias Madeira em 14 Fevereiro 2014
Juvenal Rodrigues

Para quem quiser tirar dúvidas veja o filme da RTP 2 que passou às duas da madrugada.   http://vimeo.com/40658606

OS DESCONTOS PARA A REFORMA

Os governantes já não sabem o que inventam para justificar a sua incompetência. Creio que um dia destes, se não me falha a memória, ouvi o Sr. Ministro Adjunto Poiares Maduro afirmar que os reformados não descontaram o suficiente para auferirem a reforma a que têm direito. Se o senhor Ministro se dignar descer ao Mundo real venha fazer as contas com um simples cidadão que trabalhou uma vida. Pegue na calculadora! Partindo do pressuposto que um cidadão trabalhou 40 anos auferindo um vencimento mensal bruto de 1.000€. Se o Sr. Ministro não entrar pela conversa política que tudo justifica, chega-se a uma simples conclusão: 1.000€ mensais x 14 mensalidades = 14.000€ / ano. Deste valor é descontado para a Seg. Social 34% (24% da entidade patronal + 10% do trabalhador) o que perfaz a quantia de 4.760€/ano. Multiplicando este valor por 40 anos de descontos temos 190.400€ descontados à conta do trabalhador, para a S.Social durante a sua carreira. Agora vejamos. Este trabalhador, tendo em conta o seu ordenado mensal, deve passar a auferir uns 500€/mês quando chegar aos 65 anos, idade da reforma. Admitindo que a esperança de vida actual ronde os 80 anos temos que esse mesmo trabalhador vai receber, grosso modo, durante os seus restantes 15 anos de vida o montante de 105.000€ ( 14 meses x 500€ = 7.000 x 15 anos). Por estas contas simplificadas um trabalhador, durante 40 anos da sua carreira, contribuiu com 190.400€ para a S.S. e mais tarde, durante 15 anos de reforma recebeu, como retorno, apenas 105.000€ verificando-se um remanescente a favor do Estado de 75.400€ que deverá ser aplicado no sistema de saúde. Estas são as contas que um simples cidadão sem (dr) e sem formação em economia faz mas se eu estiver enganado o Sr Ministro deve descer do seu pedestal e explicar, sem aqueles (rodriguinhos) que os políticos arranjam para ter sempre razão, como se fazem as contas de uma carreira contributiva para a S.Social e sistema de saúde. Não vale a pena vir com a (lenga-lenga) que antigamente os ordenados eram mais baixos, etc, etc porque leva desde já com a resposta que antes também a esperança de vida era menor rondando apenas os 60/65 anos. Já agora explique também se os ex e atuais presidentes da República mais os da Ass. Da República assim como outros assalariados da política, descontaram para ter 2 ou mais vencimentos mensais e ainda aqueles senhores deputados que estiveram 12 anos na A da República ou nas A Regionais, e já têm uma reforma por inteiro. Acha que esses (trabalhadores) é que descontaram o suficiente para terem essas reformas principescas? Senhor Ministro Adjunto e outros governantes o Povo português pode não se manifestar muito mas não é assim tão tacanho para acreditar em tudo! 
Publicado nas "cartas do leitor do Diário Notícias Madeira em 10 Fevereiro 2014
Juvenal Rodrigues

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Acredito que hoje vou ser polémico já que vou abordar um tema quase tabu para os homens mas muito badalado pelas mulheres. Arrisco mesmo a “levar com o rolo da massa” mas se conseguir com isto evitar apenas uma cena de violência num lar acho que já valeu a pena.  Muito se tem falado e escrito sobre a violência doméstica referindo apenas a face visível deste problema ou seja a violência física onde o homem, quase sempre, leva a melhor. Mas este tema não se esgota na força física, é muito mais abrangente, complexo e requer análise mais elaborada. Será o homem o único culpado pela violência no lar? Eu designaria à partida algumas formas de provocar conflitos no casal. A primeira, quiçá a mais condenável, é sem duvida a violência física exercida quase sempre pelo homem que por ser fisicamente mais forte provoca muitas mazelas e até homicídios. Porém existe também a violência psicológica para onde as mulheres se inclinam mais e ai não se sabe quem é mais forte. A violência gestual onde qualquer um dos intervenientes ameaça com aquilo que tem à mão e daquele gesto nasce a agressão. Outra terrível forma de violência é a verbal onde o homem e a mulher se agridem mutuamente com palavras ofensivas, amuos, gestos obscenos ou “berros” e como nenhum se cala e os impropérios continuam impõe-se, de seguida, a lei do mais forte. Até a violência de um olhar carregado de ódio também pode desencadear a pancada. Como vêm existe muitas formas de violência  e poucas fórmulas para resolve-las. Serão os beligerantes capazes de começar a inverter algumas? Antes dos contendores invocarem os assaz direitos porque não invocar primeiro os deveres?  Porque não usar o bom senso e a tolerância para chegar aquele diálogo que tem o condão de evitar a violência física e verbal? Porque não evitar o vocabulário impróprio, pelo menos no calor da discussão, usando a palavra mágica “desculpa” ou “veremos isso mais tarde”? Exceptuando os casos em que o homem chega a casa embriagado e mal entra à porta começa à zaragata com a esposa e os filhos pode sempre haver maneira de apaziguar os ânimos se houver inteligência e bom senso. Na maior parte das vezes a mulher vai participar á polícia (o homem não vai por vergonha) e acaba nos tribunais mas apenas resolve um problema de direito já que os problemas conjugais adensam-se porque a justiça é feita à base de frias leis que não contemplam sentimentos e quem acaba por mais sofrer são as crianças com a violência e a separação dos progenitores? Será que não valeria a pena evitar tudo isto em nome da paz e do bem estar das crianças? Todas as formas de violência deveriam ser banidas da face da terra mas para isso é necessário que as pessoas ponham os deveres acima dos direitos. Em próxima oportunidade abordarei um tema também muito controverso, a lei da paridade.

Juvenal Rodrigues           

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

DESEMPREGO, O CANCRO DO FUTURO





2014 iniciou o seu inalterável percurso de 365 dias. Com tempestades ou bonanças,  guerra ou paz, fartura para alguns e miséria para outros, os sinuosos caminhos do ano novo terão que ser percorridos. Cabe ao homem continuar gerindo os meses, as semanas, os dias, as horas e os minutos. Pena é que o animal mais perigoso sobre a terra – o homem- tenha perdido por completo, a noção do bem comum e continue a geri-lo sempre em proveito próprio. Obcecado pela ganância nem se dá conta que os ciclos de 365 dias, inevitavelmente, terão fim. Esse animal, dito racional, está a provocar a destruição da vida na terra porque ainda não compreendeu que tudo, no Mundo, tem que ser gerido com bom senso, ponderação e equilíbrio, até o dinheiro.
A era da tecnologia avança a um ritmo estonteante mas preocupante. Todo o Mundo vibra com as novas tecnologias – eu não fujo à regra- dos computadores, dos telemóveis, das compras pela Internet, dos futuros “drones” para efetuar as entregas dessas mesmas compras. Uma infinidade de bens e serviços ao alcance de um clique. Não estou contra elas, quanto mais não fosse porque são irreversíveis, não obstante tudo tem um preço e esse será um desemprego ascendente no Mundo. Os governantes têm obrigação, desde já, começar a debater as graves consequências dum futuro próximo dominado por esse flagelo ou corremos o sério risco de tornar o ser humano descartável. Como reagirá o homem absolutamente dependente de um emprego para sobreviver num Mundo mais globalizado e mais dependente do dinheiro? Vamos criar uma sociedade de mendigos dependentes de federações de caridade? É certo e sabido que a escassez de meios levará ao roubo à violência e até à guerra feroz  pela sobrevivência onde a ficção de hoje será a realidade do amanhã quando o homem passar para segundo plano no grau de prioridades.
A velha Europa desde 1951 com a nascimento da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, CECA, fruto de uma ideia de Jean Monnet e apresentada por Robert Schuman, ministro dos negócios estrangeiros de França, conhecida como a Europa dos seis, começou a ter uma visão coletiva de uma Europa virada para um crescimento sustentado o que, de certo modo, viria a conseguir ao ponto de integrar o Reino Unido a Dinamarca e a Irlanda. Nascia a “Europa dos nove. Mais tarde com a integração da Grécia, Portugal e Espanha passou à “Europa dos doze” e em 2007 já estávamos na Europa dos 27. Porém, do meu ponto de vista, desde a Europa dos 9 temos vindo a regredir por uma gritante falta de clarividência e de uma visão estratégica já que se enveredou pela senda do capitalismo selvagem que tudo destrui  esquecendo os valores familiares e sociais, pilhares que têm suportado o Mundo, e isto não augura nada de bom. A U.E. tornou-se num clube onde todos querem entrar, não pelos benefícios mas porque já não há alternativa ao grande capital e se tentam lutar contra ele são obrigados a afundarem-se sozinhos. O Tratado de Lisboa assinado pelos 27, em dezembro de 2009 e considerado um feito histórico, trazia nova esperança mas os grandes lobbys e os políticos corruptos uma vez mais impediram que fosse alterada uma política totalmente virada para o materialismo. O passo para o abismo, da Europa e do Mundo, será a gradual substituição do homem pela máquina quando esta lhe roubar o emprego, única forma que ele tem para sobreviver. Os governantes muito mal preparados política e tecnicamente, estão manietados pela ilusão de um crescimento económicos sem fim, dogma dos especuladores e corruptos que, enquanto obtiverem lucros fáceis, não querem saber dos problemas sociais.  Sintomático será o que acontece com  o nosso 1º Ministro absolutamente dependente dos investidores que,  para salvar Portugal da crise financeira, vai “matar” os portugueses. Quando chegamos ao ponto do Estado sortear automóveis para arrecadar dinheiro acho que ilustra bem tudo aquilo que referi.
Quanto tempo levarão os governantes a perceber que o rumo do Mundo não pode ser traçado por meia dúzia de grupos económicos gananciosos?
A propósito, já alguém questionou como é que um país tão pequeno como Portugal dá tantos cargos de destaque na Europa? Durão Barroso, Jorge Sampaio, António Guterres, Victor Constâncio. Seguir-se-á Victor Gaspar e provavelmente Passos Coelho e Paulo Portas.
Estranha coincidência ou serão os portugueses os cobaias para estes meninos subservientes, ao serviço dos grandes lobbys, ganharem estes prémios?
Como já nem os políticos têm dúvidas que o grande problema do futuro será o desemprego, comecem a prevenir agora para não remediar mais tarde.
Juvenal Rodrigues

publicado na página opinião do Diário Notícias Funchal em 13.01.2014 

 A propósito, vale a pena ver a entrevista do Papa Franciasco no link abaixo