quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SAIR DA CRISE EMPOBRECENDO

Os senhores Conselheiros de Estado depois da reunião de 25 out. assim como o Sr. 1º Ministro Pedro P. Coelho,  vieram a público apelar à compreensão e sacrifício dos portugueses para salvar o país afirmando que o momento vai além do processo político ou partidário entrando num processo de reforma estrutural - onde é que já ouvi isto?- Disse mais, disse que Portugal só iria sair da crise empobrecendo. Sou português e gostaria de ver o meu país entre os melhores mas só aceito empobrecer –mais- quando esta classe de políticos descarados, corruptos e sem moral fizerem o mesmo. Está provado que apenas se espera miséria e sacrifícios sempre para os mesmos. Quando andaram todos estes anos a enterrar o país a decisão partiu dos políticos privilegiados  e da classe política governante. Quando é para salva-lo apela-se ao sacrificado povo que já não tem mais furos no cinto para apertar. Por mim apenas estou disposto a ajudar o meu país quando o Governo da República e das regiões autónomas derem o exemplo: Reduzir os gastos com a presidência da República.  Reduzir o numero de deputados na AR e nas assembleias regionais assim como os seus salários. Reduzir as verbas para as A R e assembleias regionais –autênticos “jackpots”- , mesmo em tempo de crise, para benefício da sempre privilegiada classe política. Ninguém deve ter direito a mais do que um vencimento mensal seja da reforma ou do trabalho. Acabar com as escandalosas mordomias para a classe política  – tomem como exemplo os deputados suíços. Acabar com os vergonhosos subsídios de reintegração e subvenção vitalícia. Reduzir para um ordenado “decente” os vencimentos dos gestores públicos e impondo um teto salarial para os privados que recebem aos 20, 30 e 40 mil euros atribuindo-lhes prémios de produção se a empresa for lucrativa. Com um ordenado mínimo que não chega a 500€ estes vencimentos são uma insensatez roçando o escândalo.
Se tomarem medidas honestas abdicando dos luxos e de viver à “fartazana” então terão moral para pedirem sacrifícios a uma população já tão prejudicada pelos vossos devaneios. Sei que sempre ouve ricos e pobres e sempre haverá porém os ricos não eram tão corruptos. Já não estamos no tempo em que as pessoas incultas idolatravam os políticos como se fossem seres superiores e os ricos como benfeitores.  A sociedade mudou e as mentalidades terão que se ajustar aos novos tempos salvaguardando sempre o mútuo respeito. Vou mais longe! Quando o legislador produzir leis, em vez de serem aprovadas pelos deputados em benefício próprio, deveriam ser aprovadas por uma comissão eleita pelo povo.
Dir-me-ão, mas isso seria uma enorme revolução! Pois é! mas alguém ainda tem ilusões que isto endireita de outra maneira?

Juvenal Rodrigues

Publicado no Diário de Notícias Funchal em 01.11.11


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